Me ajuda a ser você

Me ajuda a ser você

(Leia ao som de Same old love da Selena Gomez)

Andei muito tempo perdida, não sei se você sabe. Maior parte do tempo em bares e festas, mais do que eu consigo contar. Se você me conhecesse durante aquela época com certeza saberia que alguém me machucou e saberia que o corte foi fundo. Tanto que até tem cicatriz, mas eu não vou mostrar, não quero que entenda a minha dor, só a respeite, e não cometa o mesmo erro que os outros cometeram, preciso que isso seja como nunca antes foi com alguém : leve, fácil, bom…

Achamos que nunca mais pode acontecer algo de bonito na vida da gente, até que aparece alguém que é mais certeza do que dúvidas, que é tanto emoção quanto razão, e eu te pergunto o que você quer, você quer a sorte de um amor tranquilo tanto quanto eu ? Porque se for assim eu achei o que eu encontrava, e eu encontrei você, e se eu for o que você sempre quis fico feliz de a vida ter cruzado o nosso caminho, não é sempre que se pode encontrar alguém na mesma caminhada indo pela mesma direção.

Então você sorri gostoso, e me pergunta se está tudo bem, e eu não lembro quando foi a última vez que me senti assim, tão livre como se pudesse ir para qualquer lugar e ainda assim escolher ficar com você. E é o momento em que eu te peço baixinho pra não escutar “por favor, não me machuca”. Eu sei que é cedo te pedir isso, e você deve estar me achando louca, mas não me machuca, não fique se tiver a intenção de ir embora. Eu já tiver amores passageiros sabe ? Daqueles que vem pra ficar e marcar, e quando menos percebo somem sem ao menos se despedir. Com a gente eu não quero que seja assim, eu tenho a sensação que se a gente tentar podemos conseguir, e eu quero conseguir, na verdade, eu preciso conseguir. Amores fracos só me fizeram perder tempo e se for pra perder tempo prefiro perder com você, mas prefiro perder enquanto estou no seu abraço, então só fique se for assim, que eu prometo que vou ser boa pra você também.

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Estamos sem amor, sem sorte e sem vinho

Estamos sem amor, sem sorte e sem vinho

“Copo sempre cheio e coração vazio” eu aposto que você já ouviu essa frase. Pior do que só escutar é vivenciar ou ver aquela pessoa próxima a você sofrendo porque terminou um relacionamento de longa data e prefere preencher o vazio da solidão sentado num bar bebendo sozinho, ora pra afogar as mágoas ora para voltar ao passado e reviver suas lembranças de épocas da sua vida mais felizes, do que se abrindo pra pessoas novas e experimentando novas sensações, novos amores e desamores. De fazer coisas que jamais poderia fazer se não estivesse sozinho, como sair sem rumo por ai para conhecer lugares que sempre teve vontade mas que nunca foi por causa de alguém.

Eu particularmente quando entrei na adolescência achava que ninguém jamais deveria se submeter a casos de uma só noite sem se lembrar do nome da outra pessoa no dia seguinte. Sem ligação emocional nenhuma, apenas com o físico ditando as regras. Mas entendi que vivemos em uma época em que a superação do fim de alguma coisa vem junto com o porre. Que vem de vestir a sua melhor roupa, escolher o lugar mais cheio com as músicas mais altas e só sair de lá até sentir que vomitou todas as suas memórias, todas as decepções e as preocupações. Logo aderi essa ideia de ficar com carinhas paralelos pela noite e beber até ficar mais solta. Só pra ver se aquilo funcionava mesmo. Mas na hora com todas aquelas luzes e pessoas ao meu redor eu me sentia bem, depois me via como alguém que tivesse fazendo algo errado só porque estava sentindo falta de uma pessoa. E  via que não deveria seguir por esse caminho, não fazer as coisas por necessidade e sim por vontade, sim por mim e não para provar para outra pessoa que eu conseguiria superar.

Mas o por quê disso ? O por quê de precisarmos fazer isso ? Os relacionamentos de hoje em dia estão se tornando cada vez mais escassos, nada duradouros. Temos que ouvir de amigos  quando estamos passando por uma crise no namoro, o tal de “se não dá certo, termina”. Sem pensar um no outro. Sem pensar se no fundo é aquilo mesmo que queremos e buscamos. É uma época que já temos listado no celular infinitas opções de pessoas pro caso de termos de recorrer se não dermos certo com o atual parceiro ou até mesmo ficante. É um mundo que damos mais valor ao poder de opções do que da escolha. Deveríamos escolher baseado no melhor para nós mesmos, não pra uma cura momentânea de sentimentos que foram feridos.

Falo disso mas sei que na pratica é bem mais difícil se entregar quando a entrega exigiu demais de você e não lhe deu muita coisa em troca. Daí mais uma vez voltamos ao início, é mais fácil encher o copo, beber garrafas e garrafas e encarar o porre do álcool do que estar num porre de amor que você não sabe como vai se sentir no dia seguinte quando o efeito passar. Vivemos a procura da emoção e quando finalmente a alcançamos não sabemos lidar, achando que tem alguma piadinha do destino só para nós fazer sofrer ainda mais. Lidamos com o medo constante de estarmos sozinhos mas a solidão depois de um tempo parece mais segura, mais acolhedora, e não nos importamos tanto em ficar nela. Até nos permitimos ou alguém aparecer para nos tirar do nosso estado de inércia.

Estamos cada vez mais nos escondendo do amor, da paixão, do frio na barriga e nos levando para o caminho da luxúria, e da auto satisfação que um dia não será mais suficiente. Não que seja ruim, as vezes é necessária, mas em dose alta é capaz de acabar com toda esperança que temos de um dia deixar alguém morar em nós de novo e invadir o espaço de outra pessoa.

Quando falo que estamos sem amor, sem sorte e sem vinho é porque deixamos o amor passar por estarmos distraídos demais, sem sorte porque achar uma pessoa que quer o mesmo que nós no mesmo momento que o nosso é um trabalho árduo, e sem vinho porque consumimos toda a garrafa sozinhos rápido demais quando poderíamos apreciá-la com amigos, família ou até mesmo com alguém especial que compartilhe com a gente suas histórias. Então você pode até encher o seu copo, mas deixei que o conteúdo seja algo que não só te complete, mas que te transborde.

Já não era mais você

Já não era mais você

(Leia ao som de I surrender do A day to remember)

Eu repeti os mesmos erros, todas as vezes eu repeti os mesmo erros. Se por fora eu já tinha desistido e decorado sorrisos, por dentro eu sempre descobria uma desculpa para recomeçar e acreditar que você mudaria, por Deus você tinha que mudar, como ainda era possível alguém ser assim ? Foi algo que só você pode me mostrar. E hoje em dia eu tenho pena de você. Que nenhum ato de coragem seria necessário porque você sempre conseguia o que queria de mim. Não importava quantas vezes seguisse a mesma rotina de desculpas calculadas, você pedia pra voltar e voltava, eu acreditava, pois a gente consegue dessa vez não é ? Só fica mais um pouco, dessa vez eu não sou capaz de te mostrar a saída, confia em mim só mais dessa vez. Só mais dessa vez e quantas vezes mais ? Até que finalmente possamos nos encontrar em meio ao caos. Eu passei noites em claro esperando o telefone tocar e ele nem sequer tocou. O amor tem prazo de validade afinal, esse foi o nosso e o silêncio é a resposta.

Das vezes que eu vi a vida fazendo sentido eu olhei pra trás pra ver se não tinha esquecido de nada. Bagagens se tornam pesadas quando você não sabe o que carrega consigo. Eu levei tanta coisa sua durante tanto tempo e me pergunto se foi necessário. Não, não foi, cansei de viver só de você e pouco de mim. Cê nunca nem mereceu nada daquilo e se nada foi o bastante pra te fazer ver não vai ser eu quem vai continuar, você tem pouco pra me dar e melhor que você tá cheio por ai.

Você mesmo disse que a gente não saia inteiro dessa história, você nunca saiu inteiro porque sempre foi metade, eu te dava as minhas partes. Mas você pode até viver com pouco mas eu não. Já não era mais você e não tem sido a tanto tempo e eu parei de insistir nessa história, e dessa vez não é como desistir de mim, é desistir de tentar te salvar de si mesmo. E saber reconhecer que eu precisava viver mais dessa história pra saber que não já tinha mais história nenhuma e ainda assim te agradecer por ser uma das lembranças dolorosas mais bonitas.

Mas eu não poderia deixar de te dizer, se você me conhece bem sabe que eu nunca deixaria de te dizer algo assim. Que eu não sou a escolha certa se você quiser ir pelo caminho mais fácil. Que se você se importasse teria dito alguma coisa mesmo já dizendo tudo. Teria apagado as marcas que o tempo trouxe mas tudo o que fez foi criar novas que só serviram pra me fazer ver que você é vazio por dentro. E que se esse tempo todo nos perdemos um do outro talvez não tivéssemos a menor chance de ter dado certo juntos. E mesmo te culpando de tudo, mesmo assumindo a maior parte da culpa por você, lembra que antes do fim a gente foi feliz, e já não é mais você quem pode me fazer sentir assim.

Tá tudo bem te dizer adeus

Tá tudo bem te dizer adeus

(Leia ao som de I’ll just wait do Emarosa)

Eu nunca entendi o por quê de tantas idas suas. A cada volta eu queria deixar tudo no lugar porque talvez fosse a bagunça e eu deveria saber melhor que era por isso que você não ficava durante muito tempo, e se ficava trocava tudo de lugar me deixando também da forma que você queria. Tentei ao máximo te mostrar que depois de você todos os amores que vieram foram fracos e que não me marcaram como você sempre fazia quando voltava pra mim e deixava um restício de sentimento que alimentava as minhas esperanças como se eu fosse um animal de estimação enjaulado, só pra poder continuar vendo o relógio passar, porque não importava o tempo, eu ia te esperar, ia esperar o seu vendaval passar porque as nossas primaveras era algo que eu esperava durante todo o inverno.

Eu via assim tudo de longe porque nada do que eu fizesse ia te fazer voltar mais cedo ou mudar de ideia, só ia acabar estragando tudo, e essa parte a gente já se acostumou. E eu precisava que você entendesse que tinha que voltar, não importando nem o motivo, apenas tinha e eu iria te mostrar que primeiros amores nunca morrem. Esperava que percebesse que até dos meus erros você sentia falta mas era dos meus acertos que você precisava. De como sempre podia me contar as coisas que eu iria entender ou me abraçar até dormir até afastar os seus pesadelos.

Acompanhei enquanto os seus amigos contaram que você tinha conhecido alguém novo e eu tive que fingir ficar feliz. Isso passa não é ? Ter a sensação que você encontrou um novo amor pra sua vida, enquanto o antigo ainda estava lá, batendo o pé jurando que você ainda vai voltar e recomeçar de onde pararam. Que um pra sempre não acaba assim, não importando quantos ‘para sempre’ tenhamos feito acabar.

Mas por essa e tantas outras coisas mais, o que eu precisava que acontecesse pra finalmente perceber o que eu nunca entendi ? Que está tudo bem desistir de você. Está tudo bem desistir de nós sem que isso signifique que eu tenha que assinar um contrato desistindo de toda a nossa história e dos nossos momentos juntos. Sem que precise que eu tenha que parar de torcer por você e querer te ver feliz, só que não comigo. Que eu posso aprender que outros abraços podem me completar e que meu coração pode ser só meu pra variar, não cacos do que restou depois de você esperando ser consertados novamente. Era um honra ter um coração quebrado por você. Mas não tem sentimento de espera que resista a isso. Tá tudo bem ser feliz sem você.

Porque enquanto estou aqui, com tantas pessoas ao meu redor mas sentindo que falta algo, eu percebo que não falta você. Que não tem faltado a tanto tempo e que eu me acostumei. Você me deixou acostumar. E é como aquela frase não é ? Quem muito se ausenta logo não faz falta. Porque no final do dia não vai ser você quem vai ouvir como foi o meu dia e nem me dar boa noite. E que se fosse pra ficar, você nem teria ido em primeiro lugar. Não teria ido e voltado tantas vezes só pra se certificar que eu ainda estaria aqui no caso de tudo dar errado com você. Me fazendo aprender a melhor coisa que você já tenha feito por mim : Não importa os recomeços se os fins forem iguais. E se esse foi realmente o nosso fim, tá tudo bem te dizer adeus. Porque o que é verdadeiro nunca diz, e verdadeiro a gente nunca foi. 

Se eu te der as mãos, me leva pra casa

Se eu te der as mãos, me leva pra casa

(Ouça ao som de Crawl do Chris Brown)

“Me leva pra casa”, eu disse. Você sorriu como se nada no mundo fosse tão importante quanto aquilo, e naquele momento eu também senti como se nada fosse. “Você tem certeza ?”, você perguntou.  Eu nunca tive certeza de nada até aquele momento mas eu tive com você, e eu só queria que você me levasse pra casa. As coisas parecem acontecer em câmera lenta como se o tempo quisesse que nós gravássemos o que mais tarde eles nos forçaria a esquecer. Os primeiros passos, aqueles que nunca querem chegar a lugar nenhum. As primeiras palavras, as que não puderam ser apagadas. Os primeiros lugares no qual passamos, que eu tanto tento evitar. O primeiro adeus,  aquele que seria repetido durante tantos anos sem realmente significar querer ir embora. E o primeiro beijo, o que nos marcou e desde então eu não consigo fugir de você.

Eu sempre tive medo, exatamente disso. De me sentir segura a tal ponto que não pudesse seguir sozinha pra lugar nenhum. Assim eu teria que te levar comigo e em mim, teria que arranjar espaço para que a minha vida se resumisse aos caminhos que nós dois percorríamos a partir do momento em que eu fechei os meus olhos e me deixei levar por você. Quando pude sentir o gosto do seu veneno escorrendo pela minha boca e ainda assim deixar aquilo me viciar de uma forma que eu não consegui parar e finalmente entender que você não estaria ali para fazer isso por mim para sempre. E quer saber ? Eu ainda não consigo.

Mas teve caminhadas que não podíamos fazer juntos, e você está vivendo uma em que eu não posso seguir com você, e se você seguir a minha, bem.. Nós já estamos cansados de saber o que acontece. O tempo não está a nosso favor. E corremos contra ele, olhando para trás para que ele não nos alcançasse mas parece que quem correu demais fui eu, enquanto você ainda rastejava do meu lado. E assim, não tinha com chegar a lugar nenhum.

E se eu ainda me permite dizer algo dessa história toda.. Eu só queria ser as mãos que te segurassem, não que te puxasse para baixo. Que secasse suas lágrimas enquanto o mundo desistia de você e eu não, pois eu não iria te deixar cair.  Pra poder te abraçar tão forte até que perdesse a vontade de fugir de mim. Pra ter você comigo durante toda a noite para que eu não tivesse pesadelos. Mãos que você não largasse nunca,  porque não dava mais pra viver sem você e eu recusava a cada momento em que eu via que você estava longe e eu não podia te alcançar.

E agora ? Você me fez prometer, que se um dia eu fosse embora pra te levar comigo, mas parece que quem se esqueceu de avisar foi você. Pra que quando quisesse ir embora, me tirasse de você pra não levar consigo todas as partes boas de mim que estavam guardadas ai no teu peito, coisas que eu nem nunca nem recuperei porque você fez isso tantas vezes que é impossível ainda ter algo de bom que ainda vale a pena lutar para ter.

Eu te pedi pra que me levasse para casa, mas quem te deu a mão, fui eu. Erro meu. Não queria que me levasse para casa, queria que me levasse com você, pra onde fosse.

O que eu lembrei enquanto te esquecia

O que eu lembrei enquanto te esquecia

Eu estava voltando da sua casa e a caminho da minha. Mais uma discussão, mais uma vez a gente não tinha solução e fizemos o que fazíamos de melhor, deixar pra lá. O certo seria aprender com os nossos erros e com os tombos da vida, mas é impossível não ter aquela expectativa de : agora vai. Mas nunca vai porque você não consegue me levar a lugar nenhum. Nem pra mal ou muito menos pra bem. Mas nunca sou eu que decido esse momento entre partir ou se ver sendo partida. E quando parece que eu me livro da pior parte da dor tem sempre uma escondida que me mostra que ainda tem mais pra ser sentida. E eu sinto, relutante mais sinto. Nunca joguei as coisas pra debaixo do tapete com medo do que viria e não vai ser agora que eu vou começar. Ou eu aguento ou eu simplesmente não aguento, mas eu engulo e guardo aquilo de lição pra mim.

Mas o que hoje aconteceu comigo foi algo que nenhum papo de amiga prometendo que iria passar jamais fez, foi a verdade nua e crua. De gente que não me conhece mas que mesmo assim quer meu bem e pela primeira vez dei lugar a uma razão que não a minha. Dei o lugar em que eu guardava as desculpas inventadas para você para o lugar da sensação que eu tentei por mim, por você, por nós, por um futuro que não deu nenhum sinal que existiu de verdade. Sentei e ouvi caladinha o que eu deveria ter ouvido a muito tempo.

Uma delas é que quando se trata de amor vivemos cegos. Não por escolha claro, é mais por consequência, até por quê quem nunca pensou em dar as costas e não conseguiu ? Seja por lembranças de uma história mal terminada ou apego a importância que uma pessoa tem a sua vida. No meu caso, são as duas. Mas o bom de viver cego é não se deparar com as pedras no seu caminho, mas está tudo bem até uma hora que eu caio e não sei o motivo. Sabendo que iria se machucar, você gostaria de ser avisado, não né ? Mas ainda assim escutaria ? Bom, eu nunca escutei, eu nunca escuto, eu gosto de colecionar hematomas das minhas caídas. Até que sangra e eu não consigo estancar o ferimento.

A segunda delas é talvez a mais importante e a mais difícil de ser posta em prática. Que em amor e que por amor, eu nunca deveria implorar. Por mais que me consuma e me faça sentir viva, o que adianta me sentir viva para viver me sentindo como se nada do que eu faço é suficiente ? E eu fiz, ah se fiz. Vou correndo pra você em todas elas na esperança que finalmente tenha aprendido a amar direito. Mas isso é algo que só a vida ensina e não vai ser com as minhas súplicas que você vai entender, então se um dia souber e eu ainda estiver aqui te recebo de braços abertos, se eu fechar totalmente a minha porta existem janelas para que possa espiar a minha felicidade.

A terceira é que de amor ninguém morre. Incomoda, machuca e tira o sono. Mas morrer de amor num mundo onde existe amigos, Netflix e tequila ? Acho impossível. Tanto que se fosse pra acontecer já teria acontecido em todas as vezes em que eu jurava que a sua falta de amor iria me matar. E olha só, estou vivinha pra contar essa história. E da mesma forma que você conseguiu, eu consigo e ainda te digo mais, eu vou me lembrar de cada vez que eu achei que não fosse possível e brindar a sua felicidade. Só porque o mal que você me fez eu não te desejo de volta, pode ficar.

Eu lembro que a nossa história está me impedindo de seguir em frente, e se você não aprendeu esse tempo todinho o que era me ter mesmo quando não queria, você vai aprender o que é querer me ter e eu não estar mais aqui. Não afastar os seus medos, não escutar os sonhos, não tentar te entender como ninguém nesse mundo faria. Só porque num certo momento enquanto eu te esquecia, eu lembrei de mim.

Te trago em mim

Te trago em mim

Estou escrevendo com um cigarro na mão. Sei que odeia que eu fume, mas eu te trago pra dentro de mim da única forma que eu sei que você vem, eu não tenho escolha. Esse é meu pedido de socorro. Meu copo ainda tá cheio. Não sei como vim parar aqui. Não sei como ainda associar as palavras com o que estou sentindo agora, só sei que está tudo girando e sei que preciso vomitar nossas memórias e me ver livre desse pesadelo. Mas nesse momento queria que me dissesse que tudo vai ficar bem. Mesmo sabendo que não vai.

Tudo no meu peito pesa, é o peso das minhas escolhas. É o peso de optar acordar sozinha sem ninguém do meu lado pra não ter que lembrar que eu tentei, tentei tanto e ainda vim parar nesse mesmo lugar no qual você não pode me alcançar mesmo que quisesse me salvar pela última vez. Mas você nunca nem quis.Talvez seja melhor assim, eu nunca entendi o por quê de você querer usar toda a sua força pra me mandar embora do que pra me fazer ficar mas eu entendo agora e te peço desculpas por fazer você insistir na gente mesmo depois do fim e além do fim. Você não tem culpa do meu masoquismo sentimental.

Você e seus pontos finais, eu e as minhas vírgulas de ainda querer acreditar que eu consegui ser boa pra você pelo menos um pouco. De querer ter acreditado que eu matei pelo menos um pouco da angustia com alguma vodka barata em alguma festa com música alta. De querer te fazer ver que eu mataria seus próprios demônios mesmo que eu não soubesse nadar. Eu falhei, nos falhamos. Sinto o peso das nossas falhas também. Sinto isso tudo sozinha mas você mesmo diz que nada é justo, não é mesmo ?

Por fim, opto não lhe endereçar essa carta porque você sabe que é o destino final de toda e qualquer palavra minha. Que de todos os meus começos, você foi e ainda é o mais bonito. Portanto, faça o que quiser com as minhas palavras, as queime ou rasgue, ignore-as como tem feito todos esses anos, mas antes lembre-se que hoje foi um dia que nos marcou a ferro e fogo e que eu não poderia deixar de te dizer que…. Eu sinto muito por você sentir tão pouco.