Eu estava voltando da sua casa e a caminho da minha. Mais uma discussão, mais uma vez a gente não tinha solução e fizemos o que fazíamos de melhor, deixar pra lá. O certo seria aprender com os nossos erros e com os tombos da vida, mas é impossível não ter aquela expectativa de : agora vai. Mas nunca vai porque você não consegue me levar a lugar nenhum. Nem pra mal ou muito menos pra bem. Mas nunca sou eu que decido esse momento entre partir ou se ver sendo partida. E quando parece que eu me livro da pior parte da dor tem sempre uma escondida que me mostra que ainda tem mais pra ser sentida. E eu sinto, relutante mais sinto. Nunca joguei as coisas pra debaixo do tapete com medo do que viria e não vai ser agora que eu vou começar. Ou eu aguento ou eu simplesmente não aguento, mas eu engulo e guardo aquilo de lição pra mim.

Mas o que hoje aconteceu comigo foi algo que nenhum papo de amiga prometendo que iria passar jamais fez, foi a verdade nua e crua. De gente que não me conhece mas que mesmo assim quer meu bem e pela primeira vez dei lugar a uma razão que não a minha. Dei o lugar em que eu guardava as desculpas inventadas para você para o lugar da sensação que eu tentei por mim, por você, por nós, por um futuro que não deu nenhum sinal que existiu de verdade. Sentei e ouvi caladinha o que eu deveria ter ouvido a muito tempo.

Uma delas é que quando se trata de amor vivemos cegos. Não por escolha claro, é mais por consequência, até por quê quem nunca pensou em dar as costas e não conseguiu ? Seja por lembranças de uma história mal terminada ou apego a importância que uma pessoa tem a sua vida. No meu caso, são as duas. Mas o bom de viver cego é não se deparar com as pedras no seu caminho, mas está tudo bem até uma hora que eu caio e não sei o motivo. Sabendo que iria se machucar, você gostaria de ser avisado, não né ? Mas ainda assim escutaria ? Bom, eu nunca escutei, eu nunca escuto, eu gosto de colecionar hematomas das minhas caídas. Até que sangra e eu não consigo estancar o ferimento.

A segunda delas é talvez a mais importante e a mais difícil de ser posta em prática. Que em amor e que por amor, eu nunca deveria implorar. Por mais que me consuma e me faça sentir viva, o que adianta me sentir viva para viver me sentindo como se nada do que eu faço é suficiente ? E eu fiz, ah se fiz. Vou correndo pra você em todas elas na esperança que finalmente tenha aprendido a amar direito. Mas isso é algo que só a vida ensina e não vai ser com as minhas súplicas que você vai entender, então se um dia souber e eu ainda estiver aqui te recebo de braços abertos, se eu fechar totalmente a minha porta existem janelas para que possa espiar a minha felicidade.

A terceira é que de amor ninguém morre. Incomoda, machuca e tira o sono. Mas morrer de amor num mundo onde existe amigos, Netflix e tequila ? Acho impossível. Tanto que se fosse pra acontecer já teria acontecido em todas as vezes em que eu jurava que a sua falta de amor iria me matar. E olha só, estou vivinha pra contar essa história. E da mesma forma que você conseguiu, eu consigo e ainda te digo mais, eu vou me lembrar de cada vez que eu achei que não fosse possível e brindar a sua felicidade. Só porque o mal que você me fez eu não te desejo de volta, pode ficar.

Eu lembro que a nossa história está me impedindo de seguir em frente, e se você não aprendeu esse tempo todinho o que era me ter mesmo quando não queria, você vai aprender o que é querer me ter e eu não estar mais aqui. Não afastar os seus medos, não escutar os sonhos, não tentar te entender como ninguém nesse mundo faria. Só porque num certo momento enquanto eu te esquecia, eu lembrei de mim.

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