“Copo sempre cheio e coração vazio” eu aposto que você já ouviu essa frase. Pior do que só escutar é vivenciar ou ver aquela pessoa próxima a você sofrendo porque terminou um relacionamento de longa data e prefere preencher o vazio da solidão sentado num bar bebendo sozinho, ora pra afogar as mágoas ora para voltar ao passado e reviver suas lembranças de épocas da sua vida mais felizes, do que se abrindo pra pessoas novas e experimentando novas sensações, novos amores e desamores. De fazer coisas que jamais poderia fazer se não estivesse sozinho, como sair sem rumo por ai para conhecer lugares que sempre teve vontade mas que nunca foi por causa de alguém.

Eu particularmente quando entrei na adolescência achava que ninguém jamais deveria se submeter a casos de uma só noite sem se lembrar do nome da outra pessoa no dia seguinte. Sem ligação emocional nenhuma, apenas com o físico ditando as regras. Mas entendi que vivemos em uma época em que a superação do fim de alguma coisa vem junto com o porre. Que vem de vestir a sua melhor roupa, escolher o lugar mais cheio com as músicas mais altas e só sair de lá até sentir que vomitou todas as suas memórias, todas as decepções e as preocupações. Logo aderi essa ideia de ficar com carinhas paralelos pela noite e beber até ficar mais solta. Só pra ver se aquilo funcionava mesmo. Mas na hora com todas aquelas luzes e pessoas ao meu redor eu me sentia bem, depois me via como alguém que tivesse fazendo algo errado só porque estava sentindo falta de uma pessoa. E  via que não deveria seguir por esse caminho, não fazer as coisas por necessidade e sim por vontade, sim por mim e não para provar para outra pessoa que eu conseguiria superar.

Mas o por quê disso ? O por quê de precisarmos fazer isso ? Os relacionamentos de hoje em dia estão se tornando cada vez mais escassos, nada duradouros. Temos que ouvir de amigos  quando estamos passando por uma crise no namoro, o tal de “se não dá certo, termina”. Sem pensar um no outro. Sem pensar se no fundo é aquilo mesmo que queremos e buscamos. É uma época que já temos listado no celular infinitas opções de pessoas pro caso de termos de recorrer se não dermos certo com o atual parceiro ou até mesmo ficante. É um mundo que damos mais valor ao poder de opções do que da escolha. Deveríamos escolher baseado no melhor para nós mesmos, não pra uma cura momentânea de sentimentos que foram feridos.

Falo disso mas sei que na pratica é bem mais difícil se entregar quando a entrega exigiu demais de você e não lhe deu muita coisa em troca. Daí mais uma vez voltamos ao início, é mais fácil encher o copo, beber garrafas e garrafas e encarar o porre do álcool do que estar num porre de amor que você não sabe como vai se sentir no dia seguinte quando o efeito passar. Vivemos a procura da emoção e quando finalmente a alcançamos não sabemos lidar, achando que tem alguma piadinha do destino só para nós fazer sofrer ainda mais. Lidamos com o medo constante de estarmos sozinhos mas a solidão depois de um tempo parece mais segura, mais acolhedora, e não nos importamos tanto em ficar nela. Até nos permitimos ou alguém aparecer para nos tirar do nosso estado de inércia.

Estamos cada vez mais nos escondendo do amor, da paixão, do frio na barriga e nos levando para o caminho da luxúria, e da auto satisfação que um dia não será mais suficiente. Não que seja ruim, as vezes é necessária, mas em dose alta é capaz de acabar com toda esperança que temos de um dia deixar alguém morar em nós de novo e invadir o espaço de outra pessoa.

Quando falo que estamos sem amor, sem sorte e sem vinho é porque deixamos o amor passar por estarmos distraídos demais, sem sorte porque achar uma pessoa que quer o mesmo que nós no mesmo momento que o nosso é um trabalho árduo, e sem vinho porque consumimos toda a garrafa sozinhos rápido demais quando poderíamos apreciá-la com amigos, família ou até mesmo com alguém especial que compartilhe com a gente suas histórias. Então você pode até encher o seu copo, mas deixei que o conteúdo seja algo que não só te complete, mas que te transborde.

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