(Leia ao som de Let it go do James Bay)

Vai, levanta. Eu quero fingir que você ainda se importa. Que alguma parte de você sente que o mínimo que pode fazer fazer é me ajudar a pegar as minhas coisas e me levar embora. No fundo sabemos que não faz diferença, que deixou de importar, que não tem mais nada no que se possa insistir, tá na hora de largar as armas e parar de tentar travar uma guerra que não vamos ganhar. Não há mais beleza na dor. Tem uma hora que chegamos no ponto em que ficamos anestesiados, de tanto sentir a gente não sente mais nada, e é como eu me sinto agora, tô sentindo na pele o que vem sentindo desde o primeiro momento que a gente voltou, desde que olhou pra mim e disse “por que fizemos isso mesmo ?”. Eu também queria saber, mas agora não é hora, não mais, cê tá me perdendo e sabe disso…

Mas quero que saiba que tá tudo bem, não tem mais o que dizer. Não preciso que segure a porta nem que a abra, eu já sei o caminho. Eu não te culpo porque eu sei que é melhor assim, a gente não falar nada e só se abraçar, lembrar das coisas boas sem querer se dar conta que tivemos tantos momentos  como esse mas que nunca foi sempre desse jeito. De nada adiantou gritar, e ameaçar passar por essa porta e nunca mais voltar, a gente se encontra no nosso caos e talvez essa fosse a parte mais bonita de ser nós dois, saber sempre se encontrar mesmo sem querer ser encontrados, e ainda assim saber que foi a coisa certa a se fazer em meio a todos os nossos erros, mesmo terminando dessa forma porquê entendemos de despedidas mais do que outra coisa. A gente virava mais dor pra que não pudesse virar fim, até que você entendeu. Então agora entenda também…

Tenta entender, que eu sempre fui pela gente. Na parte boa e na parte ruim, quando você me queria e mais ainda quando não me queria, quando insistia em acreditar que só amor não salvava e eu jurava que sim, que podíamos amar eu porque tinha amor suficiente pra todos esses anos em que esperar por você era a única solução. Mas agora eu entendo, hoje eu entendo e te peço pra entender que eu finalmente aprendi, talvez de uma forma mais cruel que você, que eu tive que saber desistir também. Eu tive que aprender a jogar a toalha e tirar meu time de campo pra te ver sendo uma pessoa que eu não me apaixonei, te vi se tornando tudo aquilo que você jurou que não seria, uma pessoa tão mais sua e tão pouco minha, que foi como assistir o meu medo se tornando realidade num filme em que eu não conseguia me desligar da cena. Eu sempre ficava torcendo pra você parar de abrir portas em que eu não estava do outro lado, mas quando você conseguiu chegar onde sempre quis eu consegui aplaudir pelo seu final feliz. Só seu, não nosso. Essa sempre foi a parte mais triste de nós dois, tinha tudo pra ser feliz, mas só conseguimos ser final.

Mas pelo o que sobrou de nós, mesmo sendo pouco eu sei, eu não consigo dizer que não fizemos de todos os nossos acasos as minhas lembranças mais bonitas. Nem que eu não amei você uma, duas, e quantas vezes fossem necessárias achando ser a última. Mas não vou mentir que em cada uma delas eu procurei alguma forma de recomeçar, você sabe como eu sou. Mas pelo o que a gente ainda tem, e pelo o que eu sei que você ainda é da mesma forma que eu ainda sou, eu vou me lembrar de você, e vou lembrar que foi forte e que quase que tive que te matar dentro de mim, só pra não precisar morrer por você nunca mais. Mas eu não o fiz e nem vou fazer porque se não fomos feitos para ficar juntos fomos feitos pelo menos pra marcar a vida um do outro. E sei que de mim você não vai esquecer, nunca mais.

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