Desculpa não ligar

Desculpa não ligar

(Leia ao som de Fun do Coldplay).

Não vou começar contando uma história que você já sabe porque ela não serve mais como desculpa e eu sei, eu sei que devia ter parado de usa-lá há alguns meses quando entendi que quem eu amei não voltava mais e agora estava na hora de corrigir meus erros pra você não perceber que eu faço tudo errado sempre e aqui dentro de mim tá sempre uma bagunça. Mas eu acho que era pelo hábito de ter a quem culpar pra não ter de admitir que agora o único problema sou eu fazendo com que as outras coisas sejam problemas também e por isso, a gente tenha sido tão difícil de acontecer e existir, mesmo não durando tanto.

Mas mesmo que os nossos signos sejam compatíveis, e eu goste do seu carinho e de segurar as sua mão, eu não te liguei, nem pra me despedir, nem pra ouvir te perguntar o que eu queria de você pela última vez porque eu sei que o que eu preciso não é você, eu só queria que alguém precisasse de mim, de novo, só que esse alguém nunca vai ser você, e me desculpe por te fazer achar que seria. E sabendo que essa seria a coisa mais egoísta a se pedir eu deixei que as horas passassem, e li sobre assuntos que você nunca entenderia, deixei meu telefone desligado, pra no final acabar cantarolando a nossa música e me pegar rindo sozinha de piadas que você faria se estivesse aqui, só pra me lembrar que a gente não daria certo nem agora nem depois por mais que eu deixasse isso continuar.

Mas isso não quer dizer que eu não sinta muito por tudo o que aconteceu. E nem me pegue pensando nas noites de quando só o sentimento de que eu podia finalmente amar de novo era suficiente pra sermos um “nós”, mas não é, as invés disso eu sinto, só não é suficiente e não vai ser, porque antes eu acreditava que alguém precisava me transbordar e não só completar, hoje eu vejo que eu consigo fazer tudo isso sozinha, e por isso não queria que ficasse, eu finalmente aprendi a saber como lutar contra os meus demônios pra ter de matar os nossos leões. E se fosse em outro tempo, em outro lugar, eu faria isso pela gente, mas eu não posso e nem vou poder enquanto eu não aprender a me virar sozinha. Dessa vez a história que eu conto é outra, uma que você não vai entender e nem se convencer de nada do que eu digo por ser tão desconfiado, mas lembra que essa foi a melhor parte de você pra mim, e por querer um futuro melhor pra gente sabendo que não seria juntos, eu apaguei seu número, e desculpa, eu não te liguei.

O problema não é você, sou eu.

O problema não é você, sou eu.

Sempre tive medo de estar sozinha, mas sempre adorei ficar sozinha. Ficar no meu silêncio, conversando com a minha própria consciência enquanto abraçava os meus medos pra que eles não interferissem no meu julgamento na hora de conhecer e me envolver com outras pessoas. Grande parte desse processo entre conhecer gente nova, me tornar amiga delas e me arriscar de novo em alguma tentativa de relacionamento já fadado ao fim acabou sendo desastre. Eu nunca me achei uma pessoa muito difícil de se lidar, mas também não tão fácil a ponto de agradar, quero sempre tudo do meu jeito por achar ser o melhor, mas aquele ditado “se pisar no meu calo, sai de baixo” se aplica totalmente pra mim. Eu vou ser 100% fiel a você, vou ser a melhor amiga que vai guardar todos os seus segredos e ir te socorrer de madrugada se for preciso, mas, e talvez esse seja um grande ‘mas’, eu vou querer que seja assim comigo também. Vou esperar dedicação, paciência, tempo, fidelidade em qualquer relacionamento amoroso ou amigável que tiver. Porque pra qualquer coisa dar certo ambos devem querer a mesma coisa.

Acho que durante muito tempo culpei quem tinha me machucado e não quis parar pra perceber que as coisas ruins que os outros fazem com a gente só vão nos fazer mal se nós permitimos. Usei como desculpa o fato de não gostar mais de ninguém, nem de assistir uma série ou ouvir uma música porque alguém tinha levado meu coração pra sempre e estragado o significado que alguma coisa importava pra mim, mas essa era a minha tentativa de esconder que eu não tinha superado o suficiente pra amar outra pessoa ou escutar aquela canção sem chorar. Porque é muito mais fácil culpar a pessoa do que se desvencilhar das lembranças e seguir em frente fazendo delas coisas bonitas e não tristes o tempo todo.

Sem lembrar muitas vezes que o sinal vermelho, aquele que impede de nos fazer coisas que ainda não estamos prontos mesmo quando queremos insistir ao fazer, podia estar ali mas ignoramos por ter fé demais na outra pessoa e achar que vai ser diferente por querer que seja, porque de igual já bastou tanto que é impossível não estar cansado de ver a mesma cena se repetindo, mas se ela se repete é porque deixamos passar alguma coisa que não vimos da primeira, e é aí que mora o problema. O que preciso ver, no caso, o que sempre precisamos ver nas pessoas pra saber se vai valer a pena ou não ?

O meu erro é me empolgar demais e idealizar uma pessoa que só existe na minha cabeça, é fazer um quadro comparativo com todos os meus ex’s, melhores amigos e outras pessoas que passaram na minha vida e pegar o que foi bom e ruim nelas pra procurar em outras as suas qualidades e ficar longe dos mesmos defeitos. Mas esqueço que cada uma delas pode ser ou vir se tornar a ser igual ou pior, aí é o momento em que a fantasia delas e a minha que idealizei sobre elas cai e eu chego no mesmo impasse que venho convivendo durante tantos e tantos anos. O problema são elas ou eu ? Elas eram assim o tempo todo e por que diabos eu não consegui enxergar ? E antes mesmo que eu ache uma solução eu já estou do outro lado da rua tentando fugir pra não precisar explicar que nada que não me faça sentir um turbilhão de sentimentos e desperte frio na barriga não ganha minha atenção, que se eu vejo uma coisa naquela minha relação que vai contra todo o meu jeito de ser eu me apavoro por não saber lidar com as diferenças que na minha cabeça são gigantescas.

O que eu quero dizer é que tive que parar de achar que só as pessoas me magoavam e me decepcionavam, que só eu perdoava mesmo sem elas pedirem desculpas. Que eu tinha que parar de exigir delas coisas que não eram de sua personalidade e principalmente achar que caberia a elas mudar por mim e pelo meu jeito. Eu magoei muita gente, e fiz coisas que achava que não tinha que pedir desculpas pelo simples fato de não aceitar estar errada naquela situação. Eu já fui embora da vida das pessoas sem explicação assim como elas foram da minha, já terminei um relacionamento de um dia pro outro pelo simples fato de querer estar sozinha e perceber que o que sentia nem era tão real assim. Mas o que aprendi me fez crescer, e aposto que a elas também, de um jeito bom ou ruim. Então por todas as pessoas que eu magoei, e decepcionei, e exigi demais, o problema não foram sempre de vocês, foi meu também, e desculpa demorar a perceber isso.

Me espera amor

Me espera amor

(Leia ao som de Payphone do Maroon 5)

A gente nunca sabe se vai durar uma noite ou uma vida toda. Com você eu nunca tive essa certeza, só depois em meio as conversas que tínhamos de madrugada enquanto escutávamos a sua playlist do Spotify e depois ao perceber que eu tinha medo que aquilo acabasse, porque acabando ia acabar comigo todinha, ia me destruir como aconteceu várias vezes, e depois ia me fazer esperar mais de você toda vez que você voltasse, como sempre fazia, mesmo não sendo o bastante. Nunca. Mas com você até o pouco me tirava da minha própria insignificância de não saber amar mais ninguém, só você, o que era uma droga, literalmente era uma droga porque naquele ano eu aprendi a fumar pra te tragar dentro de mim e nem o cigarro conseguiu me deixar pior do que a forma que eu me deixei ficar por você em todos os nossos fins e recomeços.

Mas eu superei, ou pelo menos eu chamo a minha iniciativa de parar de chorar no banheiro da balada por você de tentativa. E sem discar o seu número, sem querer perguntar dos meus amigos por você, sem querer lembrar que eu sei que te viram na semana passada com aquela blusa que te dei no Ano Novo, porque nada disso importa e o que importou eu deixei no passado junto com você e eu sei que nada disso vai dar as caras por ai de novo a não ser que um de nós salte de paraquedas na vida um do outro como sempre fazemos ao perceber que é loucura ainda sermos masoquistas de ainda se querer e se matar toda vez que entramos na mesma discussão de não sermos maduros o suficiente pra continuar. E de loucura você sempre entendeu da minha, só não tive tempo de chegar na parte que você largava a sua pra ficar comigo.

Mas entre tudo o que eu passei depois de você, entre todas os encontros, e os namoros que não deram certo, entre aprender a cantar todas as suas músicas preferidas, entre tudo o que eu me neguei a parar de sentir depois da gente ter tido algo tão forte, eu finalmente entendi… Que se eu ainda tivesse um coração a cada batida dele eu te amaria pelo o que a gente foi e pelo o que um dia eu teimo a gente de ainda ser, seja por capricho ou por orgulho, ou até mesmo da minha mania de querer adivinhar o futuro, eu te peço pra esperar porque a vida cuida dessa pra gente. Porque as vezes uma noite dessas que a gente se encontra eu volto pra você pra finalmente ajeitar o que deixamos pra trás, e pode acontecer de estarmos prontos pra fazer com que dure a vida toda.