Acho justo te deixar começar, dessa vez você pede desculpas primeiro. É inútil porque já fazem três anos e posso apostar que até semana passada quando a gente se esbarrou não tínhamos nada pra falar, nem pedir perdão. Porque mesmo sem querer já perdoamos, o tempo fez isso pela gente. Ele só não impediu te de botar no meu caminho na fila do café expresso em plena hora do rush como se ele mesmo tivesse quebrado a máquina do trabalho pra me fazer ir até lá e escutar seu nome sendo chamado pelo caixa.

Mas enquanto você não começa deixa eu te falar, deixa eu te falar porque eu ainda tinha seu número gravado no meu celular com várias exclamações do lado mesmo você tendo trocado de celular duas vezes e botado foto com as suas namoradas em todas elas.

Eu só queria te dizer que depois de você eu nunca mais fui a mesma, e demorou um tempo até eu descobrir se aquilo era bom ou não, mesmo eu tendo mudado a cor do meu cabelo várias vezes porque você não tava aqui pra dizer qual que combinava mais com meus olhos. Só queria te dizer que eu bati no peito, com força, só pra ter certeza que já não tinha mais nada de você aqui dentro que me incomodasse e assim o café podia descer sem que tivesse amargo e me queimasse como você me queimou.

Mesmo que as cicatrizes abrissem e sangrassem mais do que tá sangrando agora enquanto seu olhar tá perdido no meu e eu só queria esticar a mão pra te tocar. E eu sei o que é isso, é te conhecer e você saber onde fica cada parte do meu corpo que arrepia mas ainda assim não saber por onde começar porque a saída ainda é a mesma. E ela sempre nos levou pra um lugar diferente.

Então eu começo a gaguejar e você levanta o olhar, e você tá pesado porque o caminho que te fez me encontrar acumulou muita bagagem dos seus relacionamentos passados e dos meus eu não carreguei mais do que uma caixa com minhas roupas e cupons de promoções vencidos. E quero perguntar se foi o café que esfriou rápido demais ou porque você ainda gosta de mim e demorou pra perceber.

Mas só que o problema é que a gente não é mais a gente, e que se você falar que vai embora e me deixar falando sozinha não vai mais encontrar a porta trancada, eu não tenho mais medo, eu não tenho mais medo de bicho papão e nem de você. E nem do fato que você me arranhou, mastigou e não engoliu e que ainda assim tô viva pra te olhar e falar que você passou, mas mesmo tendo passado tantas vezes sempre quando passa ainda assim leva algo de mim que não volta mais, é que nem você e seus cigarros, faz um mal mas não dá pra ficar muito tempo sem tragar.

Então te trago pra dentro de mim mesmo que você se apague em algum momento, vou sabendo que mexi contigo e que você pode morrer sem admitir que tô te incomodando por mais que você tenha deixado de me amar primeiro quando eu nem sequer tinha tentado. E você vai olhar de esquina em esquina e de bar em bar só pra não me encontrar porque não temos mais recomeços bonitos, o semáforo fecha e a gente atravessa pra bem longe um do outro e eu aprendo a não cruzar mais o seu caminho e nem deixar você cruzar o meu.

 

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