A sua presença é tão ausente mas ainda assim eu quase acredito. Toca no fundo, como uma pontada tênue de felicidade em meio a tanta coisa que a gente já gritou com o outro só pra poder machucar. Pude finalmente respirar e deitar a cabeça no travesseiro pela primeira vez nesse mês pra no outro dia te odiar por toda a minha alegria depender de você estar aqui. Mas a cada vez que bati com a porta na sua cara e te xingei, a cada vez que você não atendeu o telefone porque era eu, mesmo com tudo você tava lá, seja do outro lado da linha ou naquele nosso reencontro de um almoço combinado com cinema na Sexta improvisado que fez a gente rir e dar as mãos um pouco, esquecer do mundo por alguns momentos. 

E então depois disso eu acreditei. Depois que as luzes se apagaram no cinema e você me abraçou e sorriu mais uma vez. E eu pensei como as coisas estavam certas por algum momento. São momentos como esse que eu queria que durasse porque qualquer coisa de você é melhor que nada. Pra no final você sumir como um fantasma daquilo que você já foi pra mim e que um dia me amou mais do que eu merecia. Que já me fez sorrir todos os dias da semana, em tempos mais felizes, na época que era possível acreditar, na época que você queria acreditar, e ficava até mais tarde só pra jogar conversa fora sem conseguir ter coragem pra me deixar desistir da gente, pedindo pra dar tempo ao tempo. Mas eu esperei por horas a fio e esperei essa parte de você que era o cara que viria de qualquer lugar e qualquer hora só pra me ver, voltar torcendo e apostando todas as fichas pra dessa vez, como todas as vezes que torci, a gente finalmente conseguir. E ficar de vez assim. 

Mas eu tô tentando sozinha, é exatamente isso que a sua mensagem que chegou à meia hora atrás significa. Que a gente não é nada um do outro e que já deixou de ser a tanto tempo que eu apenas tô mantendo minha porta aberta por pura comodidade e simples medo de te ver indo embora levando tudo com você. E eu percebo que não deveria implorar pelo seu amor. Não deveria estar te ligando bêbada sentada na calçada da boate as 4h da manhã pra te perguntar o por quê da gente ser tão difícil e continuar fazendo isso com o outro ao invés de só tentar ser feliz. 

Não deveria estar me importando se eu devo te esquecer e ficar com o cara que me olhou a noite toda só pra esquecer alguns segundos que amar você machuca de pouquinho em pouquinho e que você tá matando o que eu sinto. Não deveria. Eu não deveria beber até sentir tudo rodar pra ser uma fuga melhor do que correr até você e vomitar minhas lembranças boas e ruins. Eu não deveria me sentir como se pra você tudo fosse melhor que eu e a nossa história. E que já sou um passado que você só não quer enterrar. Porque você não vê que a melhor parte de mim tá gritando que quer que você saiba ficar e me ame tanto quanto eu aprendi a te amar, mas você não escuta porque seu orgulho tá falando mais alto e você não quis vir até aqui comemorar  um aniversário meu e mais uma vez o fato de não ter darmos certo.

Então eu volto pra casa com os sapatos nos pés e com o coração doendo na mão. Mas quando você chegar na Segunda-feira como se a gente ainda apostasse um no outro, eu deveria acreditar em você quando diz que se importa me olhando com aqueles olhos brilhantes e segurando meu rosto. Deveria acreditar que dessa vez não vai me machucar mesmo já sabendo como isso termina. Eu deveria acreditar porque você vai pra fazer tudo ficar bem e jogar migalhas pelo chão onde passa até um dia se esquecer de alimentar esse sentimento por ser tão pouco. Só que eu quero mais do que te ver duas vezes na semana e meias palavras. Eu deveria acreditar porque eu sou aquela que tá segurando nossa corda bem forte pra ela não arrebentar mesmo com as mãos doendo, mesmo sem você ver que tô tentando pra não nos deixar cair. Mas eu não acredito, e tirei minhas fichas do jogo pra não apostar mais em você porque é impossível ganhar uma luta sozinha. Então pela última vez, eu não acredito e sinto muito por você também ter deixado de acreditar.

Não mais.

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