Gente como a gente

Gente como a gente

Sai com um cara hoje. Lembrei de quando li o livro do Daniel Bovolento e fiquei pensando exatamente a mesma coisa que ele : Por onde andam as pessoas interessantes ? E como encontrá-las ? As coisas hoje se resumem ao básico, ou as pessoas se conhecem numa festa e acabam dormindo no primeiro encontro e nunca mais se vêem, ou fazem o clichê de “ vamos ver um filme e depois comer alguma coisa” e arrastam casos que não duram mais de 6 meses de puro comodismo e garrafas de vinho. Podemos apostar que as vezes em um desses casos vamos encontrar o amor das nossas vidas, eu mesma já achei ter encontrado o meu em uma festa só porque tudo se encaixou, desde o beijo as lembranças dolorosas de alguém do passado que insiste em ainda ser fantasma. Porque é isso que somos, somos feitos de memórias do melhor que já fomos um dia seja pra alguém ou para nós mesmos, mas que nunca mais voltam a ser a mesma coisa. Mas cada vez mais ficamos presos ao segundo caso, porque é isso que coração precisa.  Da calmaria antes da grande tempestade que vem ao colidir o mundo da outra pessoa com o seu.

Mas em meio a tantos pensamentos de primeiro encontro vi o quanto ele foi carinhoso, educado, prestativo, não ultrapassou os sinais, um verdadeiro cavalheiro, um pouco tímido. Mas ainda assim, onde estão as pessoas que mexem com a gente ? E porque não conseguimos ser as pessoas que mexem com as outras também ? Que nos faz esperar por mais, que nos faz imaginar como vai ser da próxima vez quando estivermos juntos ? Eu sinceramente não sei. Sempre gostei de quem me desafiasse, pessoas que falassem tanto quanto eu mas que entendessem meu silêncio, que me desse espaço, que soubesse me traduzir com um olhar. Que reparam, que me dão as mãos sem eu pedir, que me respondam sem eu sequer pensar na pergunta. Gente como eu, que toca, que arranha, que morde depois do beijo, que suspira quando acaba, que não espera até de manhã pra mandar mensagem e que já estão marcando o próximo encontro, que deita a cabeça no travesseiro e pensa “será que dá certo dessa vez ?” Que acredita e que não tem medo de acreditar. Tanto em si como no outro.

Mas onde encontrar pessoas que não desistem em encontrar o amor e que possam se sentir seguras o suficiente para se entregar de novo sem estar com a cabeça em outro lugar ou em outra pessoa ? Porque hoje somos só pessoas que querem algo instantâneo e menos espontâneo, fazendo com que a verdadeira graça de se doar só chegue no final, quando acaba e deseja que tivesse sido diferente. Posso dizer que quero mais que um vinho, mais que um cinema no final do dia, quero mais que colecionar relacionamentos fracassos e desacreditar que amor não é pra mim, quero crer que aquela bendita hora de ser feliz chega.

No final,  no beijo de despedida, no momento em que entrei no táxi só pude pensar no quanto buscamos algo que ainda não dá pra ver nem do horizonte. E que mesmo quando ele vem temos pressa, e a pressa faz com que tudo se torne mais difícil, porque não sabemos aproveitar e acabamos nos sabotando. Mas até lá, antes de buscarmos as tais pessoas interessantes por aí, devemos procurar no lugar que talvez seja mais difícil… Dentro de nós mesmos.

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Quando a gente finalmente entende que não é pra ser

Quando a gente finalmente entende que não é pra ser

Todos os meus relacionamentos foram assim : bateção de pé. Desculpem primeiramente pelo termo chulo. Mas não tem palavra que expresse melhor. Ou então, segundo palavras dos meus ex amores, “puta forçassão de barra”. Daquelas que o telefone toca toda hora de madrugada e quando já dava por mim eu estava lá na porta da casa deles no dia seguinte implorando pra que pelo amor de Deus, eles pensassem melhor antes de tomarem alguma decisão. Eu ameaçava ir embora de vez e aquilo não abalava o psicólogico deles nem um pouquinho. E conforme o tempo foi passando eu fui entendendo o por quê. Chega uma hora que cansa pra todo mundo. Só não cansava pra mim, eu era a primeira a chegar e última a sair. Mesmo com o sentimento vivo, latejando, implorando pra que o coração não sentisse mais aquela dor e tentasse de novo. Mas ainda assim, cansa tentar e bater na mesma tecla, o melhor é jogar tudo pro alto e seguir em frente. E eu emocional do jeito que sempre fui nunca entendia os motivos. Se tinha amor por que não ficar ? Mas amor, como saudades ou até mesmo sexo não prendem ninguém. E prender um amor é tanto uma prisão para o outro como para consigo mesmo. É pedir para o outro não respirar enquanto lutam contra a correnteza. Puro egoísmo e medo de ficar sozinho.

Sempre fui do tipo de pessoa que tapou buracos durante toda a minha vida. Tanto pra namoro quanto pra amizade, eu nunca, nunquinha mesmo lidei com o fato de ter de ficar sozinha. Um dia eu era tudo pra pessoa e no outro ela não tava mais lá ? Como assim ? Não falo de ter a casa vazia e eu estar sentada no escuro de braço cruzados enquanto esperava alguém chegar e acender as luzes. Só que sempre procurei pessoas que substituíssem outras sem dar tempo pro meu coração assimilar que algumas delas tinham ido embora e agora aquele lugar tava cheio mas que seriam outros risos, outras mágoas, outros planos. Nisso, lidei com amores frustados e amizades que só serviam para tomar vinho sentado na praça enquanto desabafava e nada disso foi muito verdadeiro. E se foi, bem, eu não soube dar valor até o momento que eu perdi por finamente ver que era diferente, mas daí já era tarde. Adeus, sayonara, bon voyage, que a porta bata onde o sol não bate, escafeda-se daqui. E quantas formas mais de dizer adeus.

E o momento da perda meu amigo, é ainda mais difícil do que o reencontro ou do recomeço. É não saber como tentar de novo, é se culpar de ter errado mesmo quando não queria, é desejar que nada daquilo tivesse terminado daquela forma. É olhar pro olho mágico da porta e escutar o barulho das chaves só que nunca tem ninguém do outro lado. Terminou, e aí ? O que fazer em seguida ? São rejeições e mudanças de modo geral. Como o adeus sem motivos, como o vácuo no whatsapp, com aquele “volto já” que nunca teve retorno, como o silêncio que era melhor ter terminado com gritaria. É ver a pessoa tirar as fotos do Facebook e marcar de sair todo final de semana até o Natal só pra superar de forma rápida como a vida contemporânea pede, como os verdadeiros desapegados fazem. E a gente se sente obrigado a fazer o mesmo. Eu durante todas as vezes me senti, por isso nunca dei tempo pra mim mesma, tava sempre pulando de relacionamento em relacionamento como macaco pula de galho em galho. Eu nunca soube me dar a paz que eu merecia.

Posso contar nos dedos quantas vezes me apaixonei, mas perdi a conta de quantas vezes dei replay na mesma música e tava lá, me torturando. Sempre fui de sentir muito, era tudo ou nada. Só que sempre foi tudo, por isso demorei tanto a superar as coisas e ficava agoniada quando via que a pessoa já estava bem e eu não conseguia apagar uma mísera foto do meu celular sem ter esperanças que um dia ela voltaria pra acabarmos de ver o filme que deixamos pela metade. 

Mas quando a ficha cai, ela não faz barulho e  não sai rolando por aí. É quando você acorda sem peso, sem mágoa e teu coração tá em paz. Não novo em folha, mas as feridas estão cicatrizando e você sorri pro porteiro, pro motorista, e não se importa com o que vai acontecer amanhã, só o hoje importa e depois de muito, muito tempo, tudo começa a ficar bem. E você arrisca até a cantar no chuveiro mesmo sabendo que vai desafinar, e não se importa se vai molhar o cabelo na chuva. A esperança volta como uma brisa e enxuga as lágrimas que ainda ameaçam cair. E não tem necessidade de stalkear o ex para saber o que ele fez final de semana porque você entende que merece mais do que ficar presa ao passado, eu entendi, e a partir desse momento que eu me perdoei, eu nunca mais precisei do perdão de ninguém para entender o por quê das coisas e o por quê de aquilo acontecer comigo. A partir do momento que entendi que eu merecia mais do que mendigar afeto eu pude seguir em frente. Pra onde ? Pra qualquer que seja a direção.