Seja a personagem principal da sua própria história.

Seja a personagem principal da sua própria história.

Se teve uma coisa que eu aprendi nesses últimos meses foi que as coisas acontecem quando menos se espera. Desde as boas, como a aprovação na faculdade ou ruins, como perder alguém importante pra você. Durante um tempo eu pude amadurecer (tá, mas nem tanto), errando e acertando, amando e ‘desamando’, me enchendo de expectativas e vendo cada uma delas irem por água a baixo. Perdoei e pude ser perdoada, e deixei pra trás uma porção de gente que não acrescentava mais. Fui atrás da felicidade sem nem saber o que ela estava vestindo e como iria encontrá-la.

Daí resolvi que não queria mais namorar porque sofrer por amor (ou amores) já bastava por um bom tempo. E eu, sempre vivi namorando, pulando de relacionamentos em relacionamentos sem dar uma pausa para o que eu realmente queria e precisava, e hoje vejo que isso foi ‘uó’ da minha parte. Mas justo quando o coração aquieta novamente e aprende a bater sozinho, aparece alguém (pra te testar) e trazer a possibilidade de mexer no que tava arrumado e em ordem, disposto a trocar o status de solteira e fazer com que possam aproveitar a vida juntos. Mas pera lá, quem disse que é isso que eu quero ?

O  problema não é você, sou eu (de verdade, não é você mesmo). O problema é que eu tive muitas decepções, e dei ‘pt’ nas escadarias da Lapa e liguei pro meu ex na madrugada chorando pedindo pra que a gente se desse mais uma chance. E ele não me atender foi a melhor coisa que me aconteceu. Sabe por que ? Porque eu me reergui, e passei a acreditar mais no amor e não foi o dele, nem nos que vieram depois dele e sim o meu. E posso dizer que tá sendo uma das melhores coisas que me aconteceram ultimamente.

Eu passei a usar batom vermelho e salto alto, passei a rir sem sentir vergonha e pude dançar a noite toda até meus pés doerem. Fui a shows que sempre tive vontade, cheguei em casa de manhã com muitas histórias pra contar e maratonei uma série gigante do Netflix, e o melhor ? Dormi com a consciência tranquila de quem não está ansiosa pra encontrar o amor da minha vida no dia seguinte e nem nos que virão a seguir.

Então não é que eu não acredite em relacionamentos e nem que esteja me fechando pra ideia  do amor e muito menos não queira conhecer outras pessoas pra tomar um café num dia chuvoso. Eu me rendo a ursinhos de 2 metros de alturas e todo o romantismo de achar o meu ‘The One’, a minha ‘Yellow umbrella’ ou alguém por quem eu roubaria toda uma orquestra. Mas antes, eu preciso viajar pelo mundo, morar na Argentina, conhecer alguns caras errados e viver sozinha com meus cachorros.

E aí sim, e só depois, me acostumar com a ideia de ter alguém pra dividir meu cobertor, meus sonhos e todo um futuro pela frente, com todo o clichê. Preciso me tornar a pessoa interessante que eu gostaria que alguém conhecesse no futuro e se apaixonasse a ponto de nunca mais deixar ir. Mas por enquanto, eu sou a personagem principal da minha própria história e vou continuar fazendo questão de ser.

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Amiga, parceira, só se for amiga que tá contigo pra todas as horas.

Amiga, parceira, só se for amiga que tá contigo pra todas as horas.

Abro o celular e vejo mais de 100 prints na galeria, releio todos eles. Eu chorei junto com você e você comigo, a maior parte das vezes por pessoas que não nos mereciam e não souberam nos valorizar. Eu vi quando você estava feliz por achar que daquela vez seria diferente e quando me apresentou mais um cara eu o ameacei com um olhar de aviso. Porque com a gente sempre foi assim : quem nos machucasse iria sair ferido.  Ele não estaria só machucando uma de nós e sim as duas, porque no final, ficaríamos ali, naquelas incontáveis noites de choro sem acreditar que foi mais uma das vezes que alguém quebrou nosso coração. Mas sempre sobrevivemos para ter esperança de amar de novo, e estávamos juntas quando isso aconteceu.

Então quando seus relacionamentos acabaram, e os seus sorrisos se foram e você não conseguia ser forte, eu estava disposta a correr uma maratona por você e resgatar a sua felicidade, onde quer que ela estivesse naquele momento, porque a definição de sermos amigas é nunca estar ou se sentir sozinha, e sempre ter um lugar só nosso que pessoa nenhuma jamais iria roubar. Era o momento que a bad dava lugar ao ” se arruma que você não vai ficar em casa sofrendo por macho” e eu não pude estar mais feliz por ter alguém que me animasse tanto quanto você.

Eu rio porque nossas habilidades contam como detetives particulares e farejadoras de falsianes. E não tem nada que a gente não descubra se não quisermos. Isso vai da hora que ele foi ao banheiro de manhã até quando curtiu a foto de alguma garota que a gente nunca foi com a cara. Tivemos mais de mil planos postos em ação e diversas horas perdidas de sono para desabafarmos pelo mesmo motivo de novo naquela semana. São roupas suas na minha casa e as desculpas  que inventamos pra sair, são fotos que não pudemos postar por estarmos loucas mas são memórias que ninguém vai tirar da gente. É tudo o que sabemos que nunca vão saber, e a confiança que daqui a uns anos vamos estar repetindo essas mesmas histórias e contando pros nossos filhos.

Nunca te agradeci por tudo mas estou agradecendo agora. Pela sua loucura fazer parte da minha, por ter pego meu celular e não ter me deixado ligar pra ele, por ter me ouvido chorar bêbada e ter me levado pra casa. Pelos conselhos que eu não segui, e por não ter me julgado ao quebrar a cara mais uma vez e ter estado ali pra me ajudar a juntar os cacos mais uma vez. A gente não empresta só uma blusinha pro final semana, mas também o abraço que serve de conforto, a cama, o Netflix, o brigadeiro e as risadas. E a minha amiga, parceira é você, que nunca me abandonou e está comigo em todas as horas.

Gente como a gente

Gente como a gente

Sai com um cara hoje. Lembrei de quando li o livro do Daniel Bovolento e fiquei pensando exatamente a mesma coisa que ele : Por onde andam as pessoas interessantes ? E como encontrá-las ? As coisas hoje se resumem ao básico, ou as pessoas se conhecem numa festa e acabam dormindo no primeiro encontro e nunca mais se vêem, ou fazem o clichê de “ vamos ver um filme e depois comer alguma coisa” e arrastam casos que não duram mais de 6 meses de puro comodismo e garrafas de vinho. Podemos apostar que as vezes em um desses casos vamos encontrar o amor das nossas vidas, eu mesma já achei ter encontrado o meu em uma festa só porque tudo se encaixou, desde o beijo as lembranças dolorosas de alguém do passado que insiste em ainda ser fantasma. Porque é isso que somos, somos feitos de memórias do melhor que já fomos um dia seja pra alguém ou para nós mesmos, mas que nunca mais voltam a ser a mesma coisa. Mas cada vez mais ficamos presos ao segundo caso, porque é isso que coração precisa.  Da calmaria antes da grande tempestade que vem ao colidir o mundo da outra pessoa com o seu.

Mas em meio a tantos pensamentos de primeiro encontro vi o quanto ele foi carinhoso, educado, prestativo, não ultrapassou os sinais, um verdadeiro cavalheiro, um pouco tímido. Mas ainda assim, onde estão as pessoas que mexem com a gente ? E porque não conseguimos ser as pessoas que mexem com as outras também ? Que nos faz esperar por mais, que nos faz imaginar como vai ser da próxima vez quando estivermos juntos ? Eu sinceramente não sei. Sempre gostei de quem me desafiasse, pessoas que falassem tanto quanto eu mas que entendessem meu silêncio, que me desse espaço, que soubesse me traduzir com um olhar. Que reparam, que me dão as mãos sem eu pedir, que me respondam sem eu sequer pensar na pergunta. Gente como eu, que toca, que arranha, que morde depois do beijo, que suspira quando acaba, que não espera até de manhã pra mandar mensagem e que já estão marcando o próximo encontro, que deita a cabeça no travesseiro e pensa “será que dá certo dessa vez ?” Que acredita e que não tem medo de acreditar. Tanto em si como no outro.

Mas onde encontrar pessoas que não desistem em encontrar o amor e que possam se sentir seguras o suficiente para se entregar de novo sem estar com a cabeça em outro lugar ou em outra pessoa ? Porque hoje somos só pessoas que querem algo instantâneo e menos espontâneo, fazendo com que a verdadeira graça de se doar só chegue no final, quando acaba e deseja que tivesse sido diferente. Posso dizer que quero mais que um vinho, mais que um cinema no final do dia, quero mais que colecionar relacionamentos fracassos e desacreditar que amor não é pra mim, quero crer que aquela bendita hora de ser feliz chega.

No final,  no beijo de despedida, no momento em que entrei no táxi só pude pensar no quanto buscamos algo que ainda não dá pra ver nem do horizonte. E que mesmo quando ele vem temos pressa, e a pressa faz com que tudo se torne mais difícil, porque não sabemos aproveitar e acabamos nos sabotando. Mas até lá, antes de buscarmos as tais pessoas interessantes por aí, devemos procurar no lugar que talvez seja mais difícil… Dentro de nós mesmos.

Pra te mostrar que o mundo é maior do que você pensa.

Pra te mostrar que o mundo é maior do que você pensa.

Eu não tinha assunto pra chegar nela. Agora pareci um adolescente falando. Espera, antes tenho que explicar todo o contexto pra querer ter um assunto pra não ser só mais um babaca da noite dela. Então, lá vai.

Ela parecia estar se divertindo, tinha mais duas amigas a acompanhando, uma parecia estar mais sóbria e a outra parecia estar quase na mesma animação que a dela, apenas a 1 copo e meio de vodka com energético de diferença.

Eu sempre me perguntei o porquê das mulheres comerem chocolate quando estão de tpm, é porque estão de tpm e precisam de chocolate, mas quando elas enchem o copo, botam o batom vermelho e sorriem tanto como se fosse pra convencer a si mesmas que realmente estão felizes por estar ali, é porque elas precisam esquecer um cara, senão todos os caras ao longo de toda a vida delas que já fizeram a burrada de as deixar.

Antes de qualquer coisa eu observei, por longos e inteiros 30 minutos eu observei enquanto ela puxava o braço da amiga em direção a pista de dança. Eu imaginei o que mais ela sabia fazer, não no sentido maldoso da palavra, eu apenas queria saber se ela sabia cozinhar ou cantarolar Joy Division baixinho, porque em algum momento em que ela deixava a bebida cair do copo e olhava para o celular, parece que ela percebeu que tinha coisas que fugiam do seu controle, coisas que bebida nenhuma, música nenhuma e sorriso nenhum apagava. E as vezes é o sentimento de ainda pertencer a alguém que já não te pertence mais. E isso eu entendia mais do que qualquer cara da minha idade.

Eu não quis pegar o copo da mão dela como se fosse pra fazê-la parar de beber e dançar comigo. Ao invés disso eu só perguntei :

– “Você precisa de mais um drink ?”. O que saiu fora de contexto e fez ela sorrir.

– “Você vai me pagar um ?”. Droga, eu deveria ter pensado nisso melhor.

– “É o seu terceiro copo, as pessoas não costumam parar no terceiro, não se querem esquecer algo, e bem, você quer ?”. Ela me dá seu sorriso mais uma vez.

– “Agora são duas perguntas. ”

– “E você vai responder algumas delas ?”. O terceiro sorriso foi o sorriso triste mais bonito que eu já vi.

– “Uma garota não pode beber pra se divertir ?”. Droga, de novo.

– “Um cara não pode se preocupar ?”

– Vocês caras tem a tendência de se preocupar até demais. Por coisas erradas até.

– Deixa eu adivinhar, terminou com o namorado ?”.  O que me faz ser um babaca por perguntar.

– “Deixa eu adivinhar : Aquariano ?”. Ótimo, ela era a louca dos signos.

–  “Propensão a saber das coisas ?”.

–  “Não, intrometido.” E aquela parecia a primeira vez que ela sorriu de verdade durante a noite toda.

E é claro que eu tinha que ir atrás dela enquanto via as amigas procurando algum sinal de que ela precisava fugir de mais um cara chato que tinha dado em cima. Mas de uma forma que eu não entendo, mulheres costumam conversar pelo olhar, e bastou um para elas se dispersarem igual pombos e pararem de prestar atenção.

– “Olha, desculpa, não foi a minha intenção, eu só queria…”

–  “Um assunto diferente de qualquer outro cara que já tenha tentado falar comigo porque durante os 30 minutos que você ficou me encarando e contando quantos copos eu bebi em algum momento da sua noite enquanto eu pegava o meu celular você achou que deveria conversar comigo sobre sentimentos ?”. Tudo bem, eu deveria ter esperado por essa.

– “Nossa, você sabe deixar um cara sem palavras.”

–  “Acredite, eu posso fazer muito mais do que deixar um cara sem palavras.”

– “Mais do tipo de quebrar o retrovisor do carro ou fugir na manhã seguinte sem falar nada ?”. Pronto, agora ela realmente estava se divertindo.

– “Mais do tipo que não gosta que um cara tome conta do quanto uma mulher bebe e os motivos dela.” E agora ela cruza os braços como se quisesse parecer séria mas achando graça nisso tanto quanto eu.

– “Escorpiana ?”.

– “Com ascendente em libra.” Essa garota tem sérios problemas.

– Essa é a hora que você espera que eu diga que o prazer de te conhecer foi todo meu ?

– “Pode apostar que sim”. Sim, eu posso apostar em você.

–  “Desculpa, não me convenceu”.

– “Eu não preciso te provar nada”.

– “Mas talvez você queira”.

– “O que eu ganho com isso ?” E notei o tom de desafio na voz dela.

– “Eu”. Agora eu definitivamente parecia com todos os outros caras.

– “Você ? Pra que ?”.

– “Pra te mostrar que o mundo é maior do que você pensa”.

– “O mundo tá de bom tamanho pra mim”. Eu acho que ela mesma queria se convencer do que disse.

– “É por isso que você vai beber o quarto corpo e vai precisar de algo mais forte como tequila, e você nem gosta de tequila por achar que é uma maneira desesperada de ficar bêbada logo. E as 2h da manhã quando estiver se sentindo entendiada o suficiente e admitir que seus sapatos estão realmente te matando você vai pedir um táxi e ir embora. Vai abrir um vinho e botar um disco pra tocar porque sabe que é a única coisa que deveria ter feito a noite toda as invés de ter se preocupar em qual roupa vestir para um lugar que nem queria ir.  Agora me diz : Esse é o mundo em que você quer viver ?”

– “Café, amanhã, as 10h. Não se atrase. Eu te mando mensagem onde”.

– “Pra que ?”. Agora sim chegamos a um ponto.

– “Pra te mostrar que você ainda não viu nada desse mundo”.

E acredite, eu mal poderia esperar pra ver o mundo que ela iria me mostrar.

 

 

 

Não, eu não estou mais disponível

Não, eu não estou mais disponível

Você disse que voltava logo, já são quase 1h da manhã e não voltou. Queria saber quanto tempo demora pra uma pessoa tomar um banho e voltar logo. Mas acho que no seu caso você deve ter se afogado no chuveiro porque essa é a única explicação pra não ter me respondido durante dois dias. Mas até que vem as fotos no Facebook, as marcações dos amigos, as histórias no Twitter de como aquela noite foi boa e de como quase não chegou em casa porque esqueceu a carteira no táxi, e percebo que foi muito mais do que isso. Foi preciso tomar um banho, trocar de roupa, e ir tomar aquela cerveja com os amigos pra sumir, sem explicação sem nada. E esquecer que eu estava ali, esperando que você respondesse se dava pra gente marcar de se ver na Quinta.

Tudo bem, não precisava ter mandado boa noite, e muito menos avisado que chegou em casa bem, não precisava nem avisar que iria sair, o teu Snapchat faz isso por você. O teu erro foi ter me feito esperar esse tempo todinho. Foi ter me botado na sua geladeira e me tirado da sua discagem rápida, foi ter tirado o visto por último só pra um dia eu não ter de te cobrar que me ignorou, como se eu fosse alguma maluca por atenção, porque eu sempre te entendi. Sempre entendi a sua demora no jogo, ou quando ia ao barzinho com os amigos na Sexta, sempre entendi quando seu celular estava fora de área, ou quando descarregou na boate. Eu sempre entendi que aquela semana você tinha provas importantes na Faculdade e que não dava pra sair de casa e que Domingo tinha futebol. Mas em algum momento você entendeu ? Quando eu ficava horas sem te responder pra não ter que lidar com o seu ‘e ai, tudo bem ?’ desprovido de qualquer preocupação se eu estava bem ou não ?

Porque eu quero que saiba que não, eu não perdi horas de sonos esperando por uma mensagem sua, meu sono está em dia, obrigada. Ou muito menos cancelei meus planos por você. Porque primeiramente, eu nem os fiz, na expectativa que naquele dia você finalmente pudesse vir me ver e me levar no restaurante que você já foi com todos os seus amigos e justo no dia de me levar você furava. Porque eu cheguei atrasada no curso pra poder ficar um pouco mais com você quando a gente não se viu a semana toda e quando era contigo, você não podia faltar a academia porque estava a muito tempo sem ir. Percebe que eu te fiz de escolha e você me fez de opção ?

Então não, eu sei que saio mais cedo na Segunda e posso ir te ver, mas eu não vou. Eu não vou largar meus planos, nem meu orgulho e nem atender o telefone, responder Whatsapp, Messenger, ou ver a sua mensagem de fumaça pra te responder se eu estou disponível ou não. Porque a verdade é, que eu estou disponível sim, mas pra alguém que não minta, e que me leve junto pro barzinho com os amigos e me apresente, mesmo que seja só como alguém que esteja curtindo ficar, que aceite marcações de foto daquela choppada que a gente se encontrou, que não se esconda, não se esconda e que não finja me ver passando do outro lado da rua quando eu aceno. Que não me procure só quando seus planos tiverem sido cancelados ou receber um toco de alguém no Tinder. Então pega o seu ‘ei, cinema na Segunda ?’ e envie para alguém que se importe.

Estamos sem amor, sem sorte e sem vinho

Estamos sem amor, sem sorte e sem vinho

“Copo sempre cheio e coração vazio” eu aposto que você já ouviu essa frase. Pior do que só escutar é vivenciar ou ver aquela pessoa próxima a você sofrendo porque terminou um relacionamento de longa data e prefere preencher o vazio da solidão sentado num bar bebendo sozinho, ora pra afogar as mágoas ora para voltar ao passado e reviver suas lembranças de épocas da sua vida mais felizes, do que se abrindo pra pessoas novas e experimentando novas sensações, novos amores e desamores. De fazer coisas que jamais poderia fazer se não estivesse sozinho, como sair sem rumo por ai para conhecer lugares que sempre teve vontade mas que nunca foi por causa de alguém.

Eu particularmente quando entrei na adolescência achava que ninguém jamais deveria se submeter a casos de uma só noite sem se lembrar do nome da outra pessoa no dia seguinte. Sem ligação emocional nenhuma, apenas com o físico ditando as regras. Mas entendi que vivemos em uma época em que a superação do fim de alguma coisa vem junto com o porre. Que vem de vestir a sua melhor roupa, escolher o lugar mais cheio com as músicas mais altas e só sair de lá até sentir que vomitou todas as suas memórias, todas as decepções e as preocupações. Logo aderi essa ideia de ficar com carinhas paralelos pela noite e beber até ficar mais solta. Só pra ver se aquilo funcionava mesmo. Mas na hora com todas aquelas luzes e pessoas ao meu redor eu me sentia bem, depois me via como alguém que tivesse fazendo algo errado só porque estava sentindo falta de uma pessoa. E  via que não deveria seguir por esse caminho, não fazer as coisas por necessidade e sim por vontade, sim por mim e não para provar para outra pessoa que eu conseguiria superar.

Mas o por quê disso ? O por quê de precisarmos fazer isso ? Os relacionamentos de hoje em dia estão se tornando cada vez mais escassos, nada duradouros. Temos que ouvir de amigos  quando estamos passando por uma crise no namoro, o tal de “se não dá certo, termina”. Sem pensar um no outro. Sem pensar se no fundo é aquilo mesmo que queremos e buscamos. É uma época que já temos listado no celular infinitas opções de pessoas pro caso de termos de recorrer se não dermos certo com o atual parceiro ou até mesmo ficante. É um mundo que damos mais valor ao poder de opções do que da escolha. Deveríamos escolher baseado no melhor para nós mesmos, não pra uma cura momentânea de sentimentos que foram feridos.

Falo disso mas sei que na pratica é bem mais difícil se entregar quando a entrega exigiu demais de você e não lhe deu muita coisa em troca. Daí mais uma vez voltamos ao início, é mais fácil encher o copo, beber garrafas e garrafas e encarar o porre do álcool do que estar num porre de amor que você não sabe como vai se sentir no dia seguinte quando o efeito passar. Vivemos a procura da emoção e quando finalmente a alcançamos não sabemos lidar, achando que tem alguma piadinha do destino só para nós fazer sofrer ainda mais. Lidamos com o medo constante de estarmos sozinhos mas a solidão depois de um tempo parece mais segura, mais acolhedora, e não nos importamos tanto em ficar nela. Até nos permitimos ou alguém aparecer para nos tirar do nosso estado de inércia.

Estamos cada vez mais nos escondendo do amor, da paixão, do frio na barriga e nos levando para o caminho da luxúria, e da auto satisfação que um dia não será mais suficiente. Não que seja ruim, as vezes é necessária, mas em dose alta é capaz de acabar com toda esperança que temos de um dia deixar alguém morar em nós de novo e invadir o espaço de outra pessoa.

Quando falo que estamos sem amor, sem sorte e sem vinho é porque deixamos o amor passar por estarmos distraídos demais, sem sorte porque achar uma pessoa que quer o mesmo que nós no mesmo momento que o nosso é um trabalho árduo, e sem vinho porque consumimos toda a garrafa sozinhos rápido demais quando poderíamos apreciá-la com amigos, família ou até mesmo com alguém especial que compartilhe com a gente suas histórias. Então você pode até encher o seu copo, mas deixei que o conteúdo seja algo que não só te complete, mas que te transborde.

O que eu lembrei enquanto te esquecia

O que eu lembrei enquanto te esquecia

Eu estava voltando da sua casa e a caminho da minha. Mais uma discussão, mais uma vez a gente não tinha solução e fizemos o que fazíamos de melhor, deixar pra lá. O certo seria aprender com os nossos erros e com os tombos da vida, mas é impossível não ter aquela expectativa de : agora vai. Mas nunca vai porque você não consegue me levar a lugar nenhum. Nem pra mal ou muito menos pra bem. Mas nunca sou eu que decido esse momento entre partir ou se ver sendo partida. E quando parece que eu me livro da pior parte da dor tem sempre uma escondida que me mostra que ainda tem mais pra ser sentida. E eu sinto, relutante mais sinto. Nunca joguei as coisas pra debaixo do tapete com medo do que viria e não vai ser agora que eu vou começar. Ou eu aguento ou eu simplesmente não aguento, mas eu engulo e guardo aquilo de lição pra mim.

Mas o que hoje aconteceu comigo foi algo que nenhum papo de amiga prometendo que iria passar jamais fez, foi a verdade nua e crua. De gente que não me conhece mas que mesmo assim quer meu bem e pela primeira vez dei lugar a uma razão que não a minha. Dei o lugar em que eu guardava as desculpas inventadas para você para o lugar da sensação que eu tentei por mim, por você, por nós, por um futuro que não deu nenhum sinal que existiu de verdade. Sentei e ouvi caladinha o que eu deveria ter ouvido a muito tempo.

Uma delas é que quando se trata de amor vivemos cegos. Não por escolha claro, é mais por consequência, até por quê quem nunca pensou em dar as costas e não conseguiu ? Seja por lembranças de uma história mal terminada ou apego a importância que uma pessoa tem a sua vida. No meu caso, são as duas. Mas o bom de viver cego é não se deparar com as pedras no seu caminho, mas está tudo bem até uma hora que eu caio e não sei o motivo. Sabendo que iria se machucar, você gostaria de ser avisado, não né ? Mas ainda assim escutaria ? Bom, eu nunca escutei, eu nunca escuto, eu gosto de colecionar hematomas das minhas caídas. Até que sangra e eu não consigo estancar o ferimento.

A segunda delas é talvez a mais importante e a mais difícil de ser posta em prática. Que em amor e que por amor, eu nunca deveria implorar. Por mais que me consuma e me faça sentir viva, o que adianta me sentir viva para viver me sentindo como se nada do que eu faço é suficiente ? E eu fiz, ah se fiz. Vou correndo pra você em todas elas na esperança que finalmente tenha aprendido a amar direito. Mas isso é algo que só a vida ensina e não vai ser com as minhas súplicas que você vai entender, então se um dia souber e eu ainda estiver aqui te recebo de braços abertos, se eu fechar totalmente a minha porta existem janelas para que possa espiar a minha felicidade.

A terceira é que de amor ninguém morre. Incomoda, machuca e tira o sono. Mas morrer de amor num mundo onde existe amigos, Netflix e tequila ? Acho impossível. Tanto que se fosse pra acontecer já teria acontecido em todas as vezes em que eu jurava que a sua falta de amor iria me matar. E olha só, estou vivinha pra contar essa história. E da mesma forma que você conseguiu, eu consigo e ainda te digo mais, eu vou me lembrar de cada vez que eu achei que não fosse possível e brindar a sua felicidade. Só porque o mal que você me fez eu não te desejo de volta, pode ficar.

Eu lembro que a nossa história está me impedindo de seguir em frente, e se você não aprendeu esse tempo todinho o que era me ter mesmo quando não queria, você vai aprender o que é querer me ter e eu não estar mais aqui. Não afastar os seus medos, não escutar os sonhos, não tentar te entender como ninguém nesse mundo faria. Só porque num certo momento enquanto eu te esquecia, eu lembrei de mim.