Pra sempre, você

Pra sempre, você

A vida passava como um borrão, não tinha gosto, era que nem comida de hospital ou café sem açúcar, como preferir, os dois são horríveis do mesmo jeito, e a vida pra mim precisa ter gosto. Então conforme o tempo passava, e quanto mais os dias iam se arrstando, o que faltava ?

Em meio as outras pessoas, a alguns amontoados delas, na fila do caixa eletrônico ou na de supemercado. Nos jantares e depois do vinho aberto, e a alguns (muitos) erros, e no final silêncio. Tique taque do relógio, já passou das 8h e eu precisava ir trabalhar, seu coração tava batendo do outro lado da ponte sem saber que o meu tava te esperando perceber que era eu. Faltava eu.

Eu tava chegando, talvez meio lento, meio descompassado, não tendo garantias se (ainda) é o certo, sou ? Me diz, em meio as certezas que você tiver ou que não tiver, em meio as infinitas horas que olhou pro relógio em cima da sua mesa e rolou pela cama esperando algo, qualquer coisa. Me esperando, diz ? Esperando que nosso jantar romântico fosse massa congelada e que eu iria espalhar minhas roupas pelo seu quarto.

Em meio as luzes que entram pela persiana de manhã, ou pelo barulho que os carros fazem na avenida, pela coberta gelada e o espaço que sobrava na sua cama. Quando você queria começar logo o dia só que ainda não me tinha pra tirar a roupa e te pedir pra ficar. Quando você dava bom dia pro porteiro e corria pra pegar o ônibus, toda sua rotina preto no branco, sem nenhum sorriso pela manhã.

Mas depois que você virou nós tudo deu lugar ao corpo quente, ao beijo molhado, aos pés gelados, o gemido abafado como se fosse um segredo que ninguém mais pode ouvir. Os olhos semicerrados, o meio sorriso, a respiração ofegante, tudo o que faz a gente se atrasar pra ir pro trabalho pra morar mais um pouco no nosso abraço e ignorar as horas.

Você pra preencher as lacunas, pra levar as dúvidas, pra dar certeza, nomear sentimentos e trazer um pouco de medo, medo bom, medo que me faz te abraçar no meio da noite e falar coisas que você não vai lembrar de manhã, mas seu coração já escutou e vai lembrar de mim. Vai fazer ele entender que precisava de mim pra te completar, e de você pra me transbordar.

Você, só você. Eu, só pra você.
Pra sempre.

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Você foi a melhor coisa que não me aconteceu (parte II)

Você foi a melhor coisa que não me aconteceu (parte II)

Olho pra trás e vejo que foram dois anos da minha vida assim. Nos quais eu tive mais dúvidas do que certeza, que eu aguentei as coisas calada querendo gritar. Que me vi e te vi dando desculpas o suficiente pra me fazer desistir quando não, fiquei aqui, esperando você, talvez por uma ligação, ou uma mensagem que me fizesse acreditar que você estava pronto e que o problema não era eu, que nunca foi. Mas será que era ?

Esperei você pegar um avião para outra cidade e ficar com outra pessoa e esquecer de mim, de quem você realmente nunca lembrou a não ser que estivesse sozinho. A pior parte ? Era que você voltava, voltava e trazia mais dúvidas, voltava e falava da falta da sua cama vazia e de como a gente tinha tudo pra dar certo e não dava, por minha causa.  E por um momento, eu juro que podia acreditar que a gente gostava um do outro, que só faltava a gente tomar coragem de tentar.

Mas nesses últimos anos mudei algumas certezas ao longo do caminho, refiz meus planos, continuei errando sem querer aprender, bati na tecla, não superei, namorei com um cara ou dois, guardei mágoa, senti rancor, chorei até a garganta ficar irritada e o nariz escorrer. Xinguei, deixei mensagem na caixa postal, liguei as 4:00 da manhã estando bêbada pra me declarar no meu momento mas vulnerável e mais estúpido esperando que você sentisse qualquer coisa, até pena de me ver daquele jeito, só pra entender que porra, eu amava mesmo você, que era só você acreditar em mim.

Mas no final, tive que lidar com a frustração que foi te ver indo embora da minha vida mesmo pedindo pra que daquela vez (como todas as outras) ficasse e desse mais uma chance pra mim, pra gente, pra tudo o que ficasse aqui quando você fosse embora, e que iria demorar a passar.

Eu achava que o tempo fosse me fazer mais madura e a tua ausência fosse se tornar algo que eu pudesse suportar. Aprendi a desistir de você e a ver que isso nunca teve chance de dar certo, a perceber que você não me queria por perto, mas Deus me livre se me soltasse de vez e visse que eu não estava mais lá. E se eu seguisse em frente com outra pessoa, eu estaria cometendo um erro, por que eu sempre voltava pra você, não era ? Mas por esses dois anos que eu nunca te tive, e que a gente estragou tudo mais uma vez, te digo que você foi (e ainda é) a melhor coisa que não me aconteceu. E que espero que nunca mais aconteça.

Nossa história começou.

Nossa história começou.

A gente começou quando uma outra história minha terminou naquela mesma noite. Quando eu estava saindo descalça do banheiro da Antonieta segurando um copo de caipirinha e você estava fumando um cigarro do lado de fora e me olhou de olhos cerrados. Eu sei que minha maquiagem estava borrada e eu já tinha vomitado minha dignidade no vaso e dado descarga, mas nossa história começou quando você notou meu desespero de ter sido abandonada em um lugar escuro e com música alta porque minha amiga estava transando no carro de algum desconhecido.

Nossa história começou quando você nem sabia meu nome mas pegou sua jaqueta de couro, passou pelo meu ombro e disse que eu tinha cara de quem precisava de um amigo. E eu tentei engolir o choro e não precisar de ninguém quando você puxou o salto da minha mão e me levou pro bar. Você pediu uma água enquanto ria dizendo que meninas precisam de chocolate para se sentirem melhores. Mas nossa história foi tomando  forma quando você disse que uma mulher precisa de um cara que as leve para casa e que deseja boa noite depois de um dia de merda. E que eu parecia ser essa mulher.

Eu me sentia idiota contando o motivo de eu estar numa festa 2h da manhã sem salto nos pés e sem companhia, o que me fazia parecer mais desesperada do que eu tinha imaginado, e você faz parecer como se aquilo fosse tão importante como se eu tivesse contando a cura pro câncer. Você riu enquanto eu chorei e se levantou quando eu levantei e disse que precisava ir embora. Foi quando disse que eu podia confiar em você pra me levar pra casa ou confiar em um táxi desconhecido que poderia errar o caminho pela madrugada.

Foi quando eu decidi confiar em você. E você me carregou no colo pra não sujar meus pés. Tentei não achar engraçado porque você quis pagar de cavalheiro mesmo aquele não sendo seu tipo mas eu não liguei, meio sorriso já bastou pra eu saber que você poderia ser o príncipe que tinha um cavalo branco ou um carro parado bem ali na esquina que poderia me levar em segurança. Nossa história começou quando eu não soube seu nome, nem seu signo e muito menos se você poderia me sequestrar noite a fora, mas foi quando me abraçou e disse que estava tudo bem e que ele não me merecia e que eu podia chorar se quisesse. E desde quando tudo isso começou, eu nunca mais quis deixar que nossa história terminasse. E no fundo, acho que é isso, você é a minha história favorita.

Você não deveria ter que implorar por amor.

Você não deveria ter que implorar por amor.

Leia ao som de Mercy do Shaw Mendes (porque é pra chorar).

Relacionamentos são difíceis. São duas pessoas com mundos diferentes que acabam colidindo e precisam se ajustar pra formar um só. A gente acha que a procura é sempre a parte mais difícil porque depois de diversos encontros marcados através do Tinder, e por alguma​ amiga sua que conhece um primo de um amigo que tem super a ver com o que você está procurando em alguém as esperanças vão sendo um pouco perdidas.

E daí você se conforma e diz que vai ficar sozinha por um tempo. Entra na academia, começa uma dieta nova, vai beber com seus amigos num barzinho, resolve fazer aquele passeio que a tempos queria mas estava só esperando a companhia pra ir, e decide fazer por conta própria. Até que alguém acontece. Na metade do seu caminho quando você se conforma que ficar sozinha também é bom, e que a vida de solteira tem lá suas vantagens, alguém resolve aparecer e te mostrar que consegue ser uma boa companhia na sua caminhada.

A partir disso, começam os jantares e as idas para a casa um do outro para dormirem juntos e você já tem uma toalha lá e ele, um casaco na sua casa.  Voce já conhece a família dele e ele, o seu cachorro. As mensagens de boa noite nunca deixam de ser enviadas e vocês fazem planos pro final de semana daqui até o Natal. As piadas internas e tudo que demorou a ser construído de repente ficam com cor e tomam forma, uma forma bonita que a sua vida tinha deixado de ter a um tempo, por que quem não gosta de um novo amor que preenche um espaço vazio na cama e no coração ?

Até que as coisas que eram quentes vão pra morno e do nada você se vê no meio de um deserto de gelo em que tudo perdeu a graça e você não faz a mínima ideia de como parou lá, e se pergunta onde está a outra pessoa e se ela também está se sentindo como se as coisas tivessem perdido o sentido de ser. As brigas, as cobranças, o fato de ninguém se entender, um simples ritual que foi perdido com o passar do tempo. E a queda do pedastal do relacionamento perfeito no qual você dizia estar pronta, mais madura e super firme, é a mais dolorosa. E ainda assim, ninguém quer perder nada do que já foi bom um dia.

E eu cheguei a conclusão que ninguém pode fugir dessa regra. Nem do desamor. Nem eu. E assim como todo mundo, não quero ter que implorar por amor. Não quero ter que esperar por reciprocidade. Eu quero coisas simples, como chegar em casa e ver uma mensagem perguntando se eu cheguei bem e que mesmo com o cansaço e com a rotina apertada ele vai estar cruzando a cidade de bicicleta pra vir me ver sem eu estar esperando. Grandes gestos só fazem a diferença nos filmes porque na vida real se todos resolverem cultivar um pouquinho de atenção e amor ao próximo alguns amores seriam melhores e mais fortes.

Relacionamentos se tornam difíceis quando você não repara que ela cortou o cabelo e que a camisa dele é nova. Quando se ver se torna uma obrigação e não um prazer, e quando já não importa pedir desculpas depois de uma briga ou não. É doloroso esperar por aquela mensagem que não chega e ver que o sentimento já não é mais tão forte e não causa borboletas no estômago. Se torna um fardo difícil de se carregar porque faltou dividir de forma igual a amizade, a cumplicicidade e o companherismo. E não existe relação que resista a um se doando 70% e o outro só 30%. Repito : não existe. É egoista demais aceitar de menos enquanto voce dá mais do que pode.

Então não implore por amor, restaure-o, mas não sozinho, com pequenas coisas do dia-a-dia que fazem a diferença. Não espere que o outro veja o que pra você está claro : que amor serve pra acrescentar e não diminuir. E ainda assim, mesmo se não der certo, dá pra começar tudo de novo, chorar vendo 500 dias com ela, visitar lugares novos e se amar em primeiro lugar. Até que outro alguém apareça e decida te amar e te dar o que você merece até que a procura por um amor que te complete e não que apenas preencha os lugares vazios, finalmente acabe.

Se conhecer alguém disposto a ficar na chuva por você, se molhe.

Se conhecer alguém disposto a ficar na chuva por você, se molhe.

Lembro quando você riu das minhas piadas pela primeira vez, a gente estava num bar sujo bebendo vinho na chuva sem se importar se íamos nos molhar ou não. E pra falar a verdade as piadas que contei nem eram tão engraçadas confesso, mas acho que você tava rindo da minha tentativa de te arrancar um sorriso bobo enquanto você morria de frio e eu usava o seu casaco. Queria te perguntar, ali você acreditou em mim ? Acreditou quando eu dei a entender que podia te mostrar meu mundo se você me mostrasse o seu ? Por mais rachaduras que ele tivesse por causa do percurso que o fez chegar até aqui ?

Eu tava com medo, não sei se você sabe, as melhores histórias de amor começam assim e quando acabam, eu termino com a minha cabeça no vaso vomitando tequila e no dia seguinte sofro de ressaca de amor. Eu te contei isso e você riu mais uma vez, dessa vez não teve graça, foi mais um riso de concordância como quem quer dizer que já sofreu por isso. Seu olhar foi de empatia, você tocou a minha mão e disse que já ficou tão bêbado que acabou dormindo nas escadarias da Lapa esperando ela ligar e não ligou, e não sabe como voltou inteiro no dia seguinte pra casa. Dessa vez foi a minha vez de rir de você, mas eu só queria te abraçar e tomar sua dor.

Mas será que alguém fica inteiro novamente ? Ou vamos roubando pedacinho por pedacinho de outros amores até estarmos firmes para andarmos com os nossos pés ? Eu não sabia a resposta e te perguntei, você também não sabia. A verdade é que ambos estávamos desacreditados em toda aquela ideia de que duas pessoas podem se remendar juntas. Eu sou de Aquário e você de Gêmeos, você não acreditou em destino e muito menos eu, mas eu sabia que ele queria a gente ali no mesmo lugar nem que fosse pra jogar conversa fiada e botar a cabeça no travesseiro e se sentir mais leve por finalmente estar botando todas as mágoas pra fora.

Quando eu disse que ia começar a Faculdade em Agosto você torceu a boca e disse que eu morria de antecipação e que tava na cara. Eu chamei o garçom falando que ia pagar a conta e você tomou a comanda da minha mão e me olhou de cara feia. Eu cantei uma parte da letra de Wonderwall e você disse que foi a pior versão que já ouviu e gargalhou. Eu levantei falando que ia fumar e você disse que ia me esperar voltar. Você aceitou minhas manias e não considerou como erro e droga, me vi ficando apaixonada pelo seu cabelo jogado na cara e sua barba pra fazer.

Então se você tiver alguma intenção de ficar saiba : Tô te encontrando em meio ao caos, tô vestindo minha armadura de guerra, tô pintando meu rosto pra ir à luta, tá indo a fé e mais nada, é tudo o que eu posso te oferecer e acredite quando eu digo que eu vou até o final. O caminho é estreito, você não disse pra lutar mas eu tô indo, tô preparando meu urro de vitória antes mesmo de saber se vou vencer ou não então se eu cair, me dá a mão e confia que tô te entregando meu coração pra você cuidar. Não me pede pra desistir, não vira as costas e me manda recolher as minhas armas porque eu não vou. Eu não sabia o que tava esperando até te conhecer e bom, agora que eu conheço, eu finalmente achei uma pessoa que vale a pena ficar na chuva para se molhar.

Quando a gente finalmente entende que não é pra ser

Quando a gente finalmente entende que não é pra ser

Todos os meus relacionamentos foram assim : bateção de pé. Desculpem primeiramente pelo termo chulo. Mas não tem palavra que expresse melhor. Ou então, segundo palavras dos meus ex amores, “puta forçassão de barra”. Daquelas que o telefone toca toda hora de madrugada e quando já dava por mim eu estava lá na porta da casa deles no dia seguinte implorando pra que pelo amor de Deus, eles pensassem melhor antes de tomarem alguma decisão. Eu ameaçava ir embora de vez e aquilo não abalava o psicólogico deles nem um pouquinho. E conforme o tempo foi passando eu fui entendendo o por quê. Chega uma hora que cansa pra todo mundo. Só não cansava pra mim, eu era a primeira a chegar e última a sair. Mesmo com o sentimento vivo, latejando, implorando pra que o coração não sentisse mais aquela dor e tentasse de novo. Mas ainda assim, cansa tentar e bater na mesma tecla, o melhor é jogar tudo pro alto e seguir em frente. E eu emocional do jeito que sempre fui nunca entendia os motivos. Se tinha amor por que não ficar ? Mas amor, como saudades ou até mesmo sexo não prendem ninguém. E prender um amor é tanto uma prisão para o outro como para consigo mesmo. É pedir para o outro não respirar enquanto lutam contra a correnteza. Puro egoísmo e medo de ficar sozinho.

Sempre fui do tipo de pessoa que tapou buracos durante toda a minha vida. Tanto pra namoro quanto pra amizade, eu nunca, nunquinha mesmo lidei com o fato de ter de ficar sozinha. Um dia eu era tudo pra pessoa e no outro ela não tava mais lá ? Como assim ? Não falo de ter a casa vazia e eu estar sentada no escuro de braço cruzados enquanto esperava alguém chegar e acender as luzes. Só que sempre procurei pessoas que substituíssem outras sem dar tempo pro meu coração assimilar que algumas delas tinham ido embora e agora aquele lugar tava cheio mas que seriam outros risos, outras mágoas, outros planos. Nisso, lidei com amores frustados e amizades que só serviam para tomar vinho sentado na praça enquanto desabafava e nada disso foi muito verdadeiro. E se foi, bem, eu não soube dar valor até o momento que eu perdi por finamente ver que era diferente, mas daí já era tarde. Adeus, sayonara, bon voyage, que a porta bata onde o sol não bate, escafeda-se daqui. E quantas formas mais de dizer adeus.

E o momento da perda meu amigo, é ainda mais difícil do que o reencontro ou do recomeço. É não saber como tentar de novo, é se culpar de ter errado mesmo quando não queria, é desejar que nada daquilo tivesse terminado daquela forma. É olhar pro olho mágico da porta e escutar o barulho das chaves só que nunca tem ninguém do outro lado. Terminou, e aí ? O que fazer em seguida ? São rejeições e mudanças de modo geral. Como o adeus sem motivos, como o vácuo no whatsapp, com aquele “volto já” que nunca teve retorno, como o silêncio que era melhor ter terminado com gritaria. É ver a pessoa tirar as fotos do Facebook e marcar de sair todo final de semana até o Natal só pra superar de forma rápida como a vida contemporânea pede, como os verdadeiros desapegados fazem. E a gente se sente obrigado a fazer o mesmo. Eu durante todas as vezes me senti, por isso nunca dei tempo pra mim mesma, tava sempre pulando de relacionamento em relacionamento como macaco pula de galho em galho. Eu nunca soube me dar a paz que eu merecia.

Posso contar nos dedos quantas vezes me apaixonei, mas perdi a conta de quantas vezes dei replay na mesma música e tava lá, me torturando. Sempre fui de sentir muito, era tudo ou nada. Só que sempre foi tudo, por isso demorei tanto a superar as coisas e ficava agoniada quando via que a pessoa já estava bem e eu não conseguia apagar uma mísera foto do meu celular sem ter esperanças que um dia ela voltaria pra acabarmos de ver o filme que deixamos pela metade. 

Mas quando a ficha cai, ela não faz barulho e  não sai rolando por aí. É quando você acorda sem peso, sem mágoa e teu coração tá em paz. Não novo em folha, mas as feridas estão cicatrizando e você sorri pro porteiro, pro motorista, e não se importa com o que vai acontecer amanhã, só o hoje importa e depois de muito, muito tempo, tudo começa a ficar bem. E você arrisca até a cantar no chuveiro mesmo sabendo que vai desafinar, e não se importa se vai molhar o cabelo na chuva. A esperança volta como uma brisa e enxuga as lágrimas que ainda ameaçam cair. E não tem necessidade de stalkear o ex para saber o que ele fez final de semana porque você entende que merece mais do que ficar presa ao passado, eu entendi, e a partir desse momento que eu me perdoei, eu nunca mais precisei do perdão de ninguém para entender o por quê das coisas e o por quê de aquilo acontecer comigo. A partir do momento que entendi que eu merecia mais do que mendigar afeto eu pude seguir em frente. Pra onde ? Pra qualquer que seja a direção. 

Não mais

Não mais

A sua presença é tão ausente mas ainda assim eu quase acredito. Toca no fundo, como uma pontada tênue de felicidade em meio a tanta coisa que a gente já gritou com o outro só pra poder machucar. Pude finalmente respirar e deitar a cabeça no travesseiro pela primeira vez nesse mês pra no outro dia te odiar por toda a minha alegria depender de você estar aqui. Mas a cada vez que bati com a porta na sua cara e te xingei, a cada vez que você não atendeu o telefone porque era eu, mesmo com tudo você tava lá, seja do outro lado da linha ou naquele nosso reencontro de um almoço combinado com cinema na Sexta improvisado que fez a gente rir e dar as mãos um pouco, esquecer do mundo por alguns momentos. 

E então depois disso eu acreditei. Depois que as luzes se apagaram no cinema e você me abraçou e sorriu mais uma vez. E eu pensei como as coisas estavam certas por algum momento. São momentos como esse que eu queria que durasse porque qualquer coisa de você é melhor que nada. Pra no final você sumir como um fantasma daquilo que você já foi pra mim e que um dia me amou mais do que eu merecia. Que já me fez sorrir todos os dias da semana, em tempos mais felizes, na época que era possível acreditar, na época que você queria acreditar, e ficava até mais tarde só pra jogar conversa fora sem conseguir ter coragem pra me deixar desistir da gente, pedindo pra dar tempo ao tempo. Mas eu esperei por horas a fio e esperei essa parte de você que era o cara que viria de qualquer lugar e qualquer hora só pra me ver, voltar torcendo e apostando todas as fichas pra dessa vez, como todas as vezes que torci, a gente finalmente conseguir. E ficar de vez assim. 

Mas eu tô tentando sozinha, é exatamente isso que a sua mensagem que chegou à meia hora atrás significa. Que a gente não é nada um do outro e que já deixou de ser a tanto tempo que eu apenas tô mantendo minha porta aberta por pura comodidade e simples medo de te ver indo embora levando tudo com você. E eu percebo que não deveria implorar pelo seu amor. Não deveria estar te ligando bêbada sentada na calçada da boate as 4h da manhã pra te perguntar o por quê da gente ser tão difícil e continuar fazendo isso com o outro ao invés de só tentar ser feliz. 

Não deveria estar me importando se eu devo te esquecer e ficar com o cara que me olhou a noite toda só pra esquecer alguns segundos que amar você machuca de pouquinho em pouquinho e que você tá matando o que eu sinto. Não deveria. Eu não deveria beber até sentir tudo rodar pra ser uma fuga melhor do que correr até você e vomitar minhas lembranças boas e ruins. Eu não deveria me sentir como se pra você tudo fosse melhor que eu e a nossa história. E que já sou um passado que você só não quer enterrar. Porque você não vê que a melhor parte de mim tá gritando que quer que você saiba ficar e me ame tanto quanto eu aprendi a te amar, mas você não escuta porque seu orgulho tá falando mais alto e você não quis vir até aqui comemorar  um aniversário meu e mais uma vez o fato de não ter darmos certo.

Então eu volto pra casa com os sapatos nos pés e com o coração doendo na mão. Mas quando você chegar na Segunda-feira como se a gente ainda apostasse um no outro, eu deveria acreditar em você quando diz que se importa me olhando com aqueles olhos brilhantes e segurando meu rosto. Deveria acreditar que dessa vez não vai me machucar mesmo já sabendo como isso termina. Eu deveria acreditar porque você vai pra fazer tudo ficar bem e jogar migalhas pelo chão onde passa até um dia se esquecer de alimentar esse sentimento por ser tão pouco. Só que eu quero mais do que te ver duas vezes na semana e meias palavras. Eu deveria acreditar porque eu sou aquela que tá segurando nossa corda bem forte pra ela não arrebentar mesmo com as mãos doendo, mesmo sem você ver que tô tentando pra não nos deixar cair. Mas eu não acredito, e tirei minhas fichas do jogo pra não apostar mais em você porque é impossível ganhar uma luta sozinha. Então pela última vez, eu não acredito e sinto muito por você também ter deixado de acreditar.

Não mais.