Eu, que não te amo mais

Eu, que não te amo mais

No começo foi bem difícil, confesso. Parecia que a cada foto que você postava era como se quisesse me mostrar que estava melhor sozinho do que esteve comigo aquele tempo todo. Um tapa na cara doeria menos do que ver que você fez planos com outra pessoa e pra mim eram sempre desculpas de que tava trabalhando demais e que precisava de um tempo. A verdade nua e crua doí, e essa foi a parte que decidi fechar seu Instagram e não saber mais de você. Senti nossa história indo pro ralo, joguei no lixo tudo o que me deu pra não ficar guardado no armário, apaguei seu número como se não soubesse de cor, refiz meu trajeto pra não ter que passar em frente a seu apartamento e não dar de cara com você.

Cogitei atirar ovos na sua janela e fugir, mesmo sabendo que não importava aonde eu fosse eu tava torcendo pro nosso olhar se cruzar na rua pra te dizer o que tem estado entalado esse tempo todo. Engraçado como tudo vira competição de quem está mais feliz, o ego fala mais alto. E ficar sozinha nunca é bem uma opção. Segundo meus amigos eu precisava ir pra alguma festa porque iria conhecer gente legal, um cara que soubesse conversar sobre política e que iria adorar ver Vikings comigo, um cara diferente de você, mais maduro, que sabia o que queria fazer na faculdade. Eu precisava beber porque ai sim eu ia esquecer você, e logo alguém melhor iria me fazer superar todos os relacionamentos de merda que eu tive.

Mas a cada tentativa era um erro que não estava mais disposta a cometer, se você estava feliz tentando preencher o vazio que talvez sempre existiu com o tempo eu também iria ficar. Sem precisar sair com o amigo de um amigo meu e ter que enfrentar toda a aquela baboseira de primeiro encontro e recomeços que só servem pra ocupar um lugar que um dia foi seu. Sem querer jogar na sua cara que você foi o pior erro que eu já cometi quando a maior prova de que eu estava te esquecendo era olhar pra frente e ver que eu estava completa e absolutamente bem sem você pra encher a minha cabeça de dúvidas a todo instante, e tornar tão difícil acreditar que amar era bom para todas as partes. Com o tempo, tudo o que eu senti não ficou nem como uma lembrança boa que eu quis guardar… E a partir daí eu percebi.

Eu, que não te amo mais, tive que refazer meus planos, tive que apagar nossas fotos e não sentir pena de jogar fora cada momento que tivemos. Fui desapegando de pouquinho em pouquinho da esperança de que quando você percebesse o erro que havia cometido voltaria correndo, igualzinho nas cenas de filme quando o cara vai atrás da garota pra ela não pegar o ônibus e ir embora da vida dele pra sempre. Tive que aprender a me remendar sozinha, sem usar ninguém dos contatos da agenda pra quando batesse aquela carência. Baixei aquela série de treze temporadas e aprendi a ir no cinema sozinha e rir das minhas próprias piadas. Te juro que pensei que não fosse passar tão cedo mas passou, e me sinto mais leve, mais eu, uma pessoa totalmente nova que você não vai ter o prazer de conhecer.

Gente como a gente

Gente como a gente

Sai com um cara hoje. Lembrei de quando li o livro do Daniel Bovolento e fiquei pensando exatamente a mesma coisa que ele : Por onde andam as pessoas interessantes ? E como encontrá-las ? As coisas hoje se resumem ao básico, ou as pessoas se conhecem numa festa e acabam dormindo no primeiro encontro e nunca mais se vêem, ou fazem o clichê de “ vamos ver um filme e depois comer alguma coisa” e arrastam casos que não duram mais de 6 meses de puro comodismo e garrafas de vinho. Podemos apostar que as vezes em um desses casos vamos encontrar o amor das nossas vidas, eu mesma já achei ter encontrado o meu em uma festa só porque tudo se encaixou, desde o beijo as lembranças dolorosas de alguém do passado que insiste em ainda ser fantasma. Porque é isso que somos, somos feitos de memórias do melhor que já fomos um dia seja pra alguém ou para nós mesmos, mas que nunca mais voltam a ser a mesma coisa. Mas cada vez mais ficamos presos ao segundo caso, porque é isso que coração precisa.  Da calmaria antes da grande tempestade que vem ao colidir o mundo da outra pessoa com o seu.

Mas em meio a tantos pensamentos de primeiro encontro vi o quanto ele foi carinhoso, educado, prestativo, não ultrapassou os sinais, um verdadeiro cavalheiro, um pouco tímido. Mas ainda assim, onde estão as pessoas que mexem com a gente ? E porque não conseguimos ser as pessoas que mexem com as outras também ? Que nos faz esperar por mais, que nos faz imaginar como vai ser da próxima vez quando estivermos juntos ? Eu sinceramente não sei. Sempre gostei de quem me desafiasse, pessoas que falassem tanto quanto eu mas que entendessem meu silêncio, que me desse espaço, que soubesse me traduzir com um olhar. Que reparam, que me dão as mãos sem eu pedir, que me respondam sem eu sequer pensar na pergunta. Gente como eu, que toca, que arranha, que morde depois do beijo, que suspira quando acaba, que não espera até de manhã pra mandar mensagem e que já estão marcando o próximo encontro, que deita a cabeça no travesseiro e pensa “será que dá certo dessa vez ?” Que acredita e que não tem medo de acreditar. Tanto em si como no outro.

Mas onde encontrar pessoas que não desistem em encontrar o amor e que possam se sentir seguras o suficiente para se entregar de novo sem estar com a cabeça em outro lugar ou em outra pessoa ? Porque hoje somos só pessoas que querem algo instantâneo e menos espontâneo, fazendo com que a verdadeira graça de se doar só chegue no final, quando acaba e deseja que tivesse sido diferente. Posso dizer que quero mais que um vinho, mais que um cinema no final do dia, quero mais que colecionar relacionamentos fracassos e desacreditar que amor não é pra mim, quero crer que aquela bendita hora de ser feliz chega.

No final,  no beijo de despedida, no momento em que entrei no táxi só pude pensar no quanto buscamos algo que ainda não dá pra ver nem do horizonte. E que mesmo quando ele vem temos pressa, e a pressa faz com que tudo se torne mais difícil, porque não sabemos aproveitar e acabamos nos sabotando. Mas até lá, antes de buscarmos as tais pessoas interessantes por aí, devemos procurar no lugar que talvez seja mais difícil… Dentro de nós mesmos.

Quando a gente finalmente entende que não é pra ser

Quando a gente finalmente entende que não é pra ser

Todos os meus relacionamentos foram assim : bateção de pé. Desculpem primeiramente pelo termo chulo. Mas não tem palavra que expresse melhor. Ou então, segundo palavras dos meus ex amores, “puta forçassão de barra”. Daquelas que o telefone toca toda hora de madrugada e quando já dava por mim eu estava lá na porta da casa deles no dia seguinte implorando pra que pelo amor de Deus, eles pensassem melhor antes de tomarem alguma decisão. Eu ameaçava ir embora de vez e aquilo não abalava o psicólogico deles nem um pouquinho. E conforme o tempo foi passando eu fui entendendo o por quê. Chega uma hora que cansa pra todo mundo. Só não cansava pra mim, eu era a primeira a chegar e última a sair. Mesmo com o sentimento vivo, latejando, implorando pra que o coração não sentisse mais aquela dor e tentasse de novo. Mas ainda assim, cansa tentar e bater na mesma tecla, o melhor é jogar tudo pro alto e seguir em frente. E eu emocional do jeito que sempre fui nunca entendia os motivos. Se tinha amor por que não ficar ? Mas amor, como saudades ou até mesmo sexo não prendem ninguém. E prender um amor é tanto uma prisão para o outro como para consigo mesmo. É pedir para o outro não respirar enquanto lutam contra a correnteza. Puro egoísmo e medo de ficar sozinho.

Sempre fui do tipo de pessoa que tapou buracos durante toda a minha vida. Tanto pra namoro quanto pra amizade, eu nunca, nunquinha mesmo lidei com o fato de ter de ficar sozinha. Um dia eu era tudo pra pessoa e no outro ela não tava mais lá ? Como assim ? Não falo de ter a casa vazia e eu estar sentada no escuro de braço cruzados enquanto esperava alguém chegar e acender as luzes. Só que sempre procurei pessoas que substituíssem outras sem dar tempo pro meu coração assimilar que algumas delas tinham ido embora e agora aquele lugar tava cheio mas que seriam outros risos, outras mágoas, outros planos. Nisso, lidei com amores frustados e amizades que só serviam para tomar vinho sentado na praça enquanto desabafava e nada disso foi muito verdadeiro. E se foi, bem, eu não soube dar valor até o momento que eu perdi por finamente ver que era diferente, mas daí já era tarde. Adeus, sayonara, bon voyage, que a porta bata onde o sol não bate, escafeda-se daqui. E quantas formas mais de dizer adeus.

E o momento da perda meu amigo, é ainda mais difícil do que o reencontro ou do recomeço. É não saber como tentar de novo, é se culpar de ter errado mesmo quando não queria, é desejar que nada daquilo tivesse terminado daquela forma. É olhar pro olho mágico da porta e escutar o barulho das chaves só que nunca tem ninguém do outro lado. Terminou, e aí ? O que fazer em seguida ? São rejeições e mudanças de modo geral. Como o adeus sem motivos, como o vácuo no whatsapp, com aquele “volto já” que nunca teve retorno, como o silêncio que era melhor ter terminado com gritaria. É ver a pessoa tirar as fotos do Facebook e marcar de sair todo final de semana até o Natal só pra superar de forma rápida como a vida contemporânea pede, como os verdadeiros desapegados fazem. E a gente se sente obrigado a fazer o mesmo. Eu durante todas as vezes me senti, por isso nunca dei tempo pra mim mesma, tava sempre pulando de relacionamento em relacionamento como macaco pula de galho em galho. Eu nunca soube me dar a paz que eu merecia.

Posso contar nos dedos quantas vezes me apaixonei, mas perdi a conta de quantas vezes dei replay na mesma música e tava lá, me torturando. Sempre fui de sentir muito, era tudo ou nada. Só que sempre foi tudo, por isso demorei tanto a superar as coisas e ficava agoniada quando via que a pessoa já estava bem e eu não conseguia apagar uma mísera foto do meu celular sem ter esperanças que um dia ela voltaria pra acabarmos de ver o filme que deixamos pela metade. 

Mas quando a ficha cai, ela não faz barulho e  não sai rolando por aí. É quando você acorda sem peso, sem mágoa e teu coração tá em paz. Não novo em folha, mas as feridas estão cicatrizando e você sorri pro porteiro, pro motorista, e não se importa com o que vai acontecer amanhã, só o hoje importa e depois de muito, muito tempo, tudo começa a ficar bem. E você arrisca até a cantar no chuveiro mesmo sabendo que vai desafinar, e não se importa se vai molhar o cabelo na chuva. A esperança volta como uma brisa e enxuga as lágrimas que ainda ameaçam cair. E não tem necessidade de stalkear o ex para saber o que ele fez final de semana porque você entende que merece mais do que ficar presa ao passado, eu entendi, e a partir desse momento que eu me perdoei, eu nunca mais precisei do perdão de ninguém para entender o por quê das coisas e o por quê de aquilo acontecer comigo. A partir do momento que entendi que eu merecia mais do que mendigar afeto eu pude seguir em frente. Pra onde ? Pra qualquer que seja a direção. 

Não mais

Não mais

A sua presença é tão ausente mas ainda assim eu quase acredito. Toca no fundo, como uma pontada tênue de felicidade em meio a tanta coisa que a gente já gritou com o outro só pra poder machucar. Pude finalmente respirar e deitar a cabeça no travesseiro pela primeira vez nesse mês pra no outro dia te odiar por toda a minha alegria depender de você estar aqui. Mas a cada vez que bati com a porta na sua cara e te xingei, a cada vez que você não atendeu o telefone porque era eu, mesmo com tudo você tava lá, seja do outro lado da linha ou naquele nosso reencontro de um almoço combinado com cinema na Sexta improvisado que fez a gente rir e dar as mãos um pouco, esquecer do mundo por alguns momentos. 

E então depois disso eu acreditei. Depois que as luzes se apagaram no cinema e você me abraçou e sorriu mais uma vez. E eu pensei como as coisas estavam certas por algum momento. São momentos como esse que eu queria que durasse porque qualquer coisa de você é melhor que nada. Pra no final você sumir como um fantasma daquilo que você já foi pra mim e que um dia me amou mais do que eu merecia. Que já me fez sorrir todos os dias da semana, em tempos mais felizes, na época que era possível acreditar, na época que você queria acreditar, e ficava até mais tarde só pra jogar conversa fora sem conseguir ter coragem pra me deixar desistir da gente, pedindo pra dar tempo ao tempo. Mas eu esperei por horas a fio e esperei essa parte de você que era o cara que viria de qualquer lugar e qualquer hora só pra me ver, voltar torcendo e apostando todas as fichas pra dessa vez, como todas as vezes que torci, a gente finalmente conseguir. E ficar de vez assim. 

Mas eu tô tentando sozinha, é exatamente isso que a sua mensagem que chegou à meia hora atrás significa. Que a gente não é nada um do outro e que já deixou de ser a tanto tempo que eu apenas tô mantendo minha porta aberta por pura comodidade e simples medo de te ver indo embora levando tudo com você. E eu percebo que não deveria implorar pelo seu amor. Não deveria estar te ligando bêbada sentada na calçada da boate as 4h da manhã pra te perguntar o por quê da gente ser tão difícil e continuar fazendo isso com o outro ao invés de só tentar ser feliz. 

Não deveria estar me importando se eu devo te esquecer e ficar com o cara que me olhou a noite toda só pra esquecer alguns segundos que amar você machuca de pouquinho em pouquinho e que você tá matando o que eu sinto. Não deveria. Eu não deveria beber até sentir tudo rodar pra ser uma fuga melhor do que correr até você e vomitar minhas lembranças boas e ruins. Eu não deveria me sentir como se pra você tudo fosse melhor que eu e a nossa história. E que já sou um passado que você só não quer enterrar. Porque você não vê que a melhor parte de mim tá gritando que quer que você saiba ficar e me ame tanto quanto eu aprendi a te amar, mas você não escuta porque seu orgulho tá falando mais alto e você não quis vir até aqui comemorar  um aniversário meu e mais uma vez o fato de não ter darmos certo.

Então eu volto pra casa com os sapatos nos pés e com o coração doendo na mão. Mas quando você chegar na Segunda-feira como se a gente ainda apostasse um no outro, eu deveria acreditar em você quando diz que se importa me olhando com aqueles olhos brilhantes e segurando meu rosto. Deveria acreditar que dessa vez não vai me machucar mesmo já sabendo como isso termina. Eu deveria acreditar porque você vai pra fazer tudo ficar bem e jogar migalhas pelo chão onde passa até um dia se esquecer de alimentar esse sentimento por ser tão pouco. Só que eu quero mais do que te ver duas vezes na semana e meias palavras. Eu deveria acreditar porque eu sou aquela que tá segurando nossa corda bem forte pra ela não arrebentar mesmo com as mãos doendo, mesmo sem você ver que tô tentando pra não nos deixar cair. Mas eu não acredito, e tirei minhas fichas do jogo pra não apostar mais em você porque é impossível ganhar uma luta sozinha. Então pela última vez, eu não acredito e sinto muito por você também ter deixado de acreditar.

Não mais.

Estou indo embora da sua vida amor

Estou indo embora da sua vida amor

Te dei minha cara a tapa. Não no sentindo literal porque você não faria uma coisas delas, mas qualquer dor física que eu tentasse sentir não iria se comparar ao o que eu estava sentindo. Foi como se tivesse cavado uma faca bem no meio do meu peito e eu não sabia desistir. Desistir nunca foi uma opção não foi ? Te dei a chave e você bateu com a porta na minha cara. Mas a gente aprende da pior forma, eu aprendi quando o silêncio incomodou as 3h da manhã e tudo o que teria pra te falar só sairia na base dos gritos e dos xingamentos porque você não merecia lembrar de mim.

Eu demorei pra acreditar nisso, na gente, culpei meu signo, culpei meu ex, culpei a minha falta de tempo por causa dos estudos, culpei que não sabia amar ninguém. Até finalmente amar você. Qualquer desculpa seria válida pra eu não querer admitir que não queria que você virasse um texto ruim ou um amor que me viraria de ponta a cabeça porque ninguém quer se ver perdendo o controle ou o sono, ou os dois. Então admito, a culpa foi minha também.

Mas eu percebi que tinha que bater em retirada quando você mesmo admitiu que não saberia retribuir o que eu te dou. E nessa hora o peito sangra, e eu tenho vontade de dizer que você é um monstro por me fazer sentir várias coisas boas e quando não é mais suficiente pra você, arrancar de mim. Arrancar uma esperança que levei meses pra construir. Mas a verdade é que chegou uma hora que o seu sentimento não foi o bastante pra segurar a barra que sempre foi gostar de mim e aguentar as minhas loucuras. Por mais clichê que isso possa parecer. E ninguém pode obrigar o outro a ficar se não for um bom lar para se morar.

Mas o caminho de volta é sempre o mais longo, e as vezes ficar horas nessa caminhada tentando se encontrar faz com que acabe se perdendo mais ainda. Então eu estou indo embora da sua vida amor, porque deveria ser mais fácil e não foi. Porque está na hora de estancar o ferimento e esbarrar com alguém nessa estrada que me ajude a ver que eu mereço alguém pra me olhar da mesma forma bonita que você já me olhou quando acreditou pela primeira vez na gente.

No final de tudo, você me pediu pra parar de fumar mas no fundo sempre soube que o meu pior vício era você. Era não saber te negar nada, isso vai das suas chantagens até tirar as roupas. Porque no fundo somos orgulhosos pra admitir o que queremos mas que não muda nada mesmo assim, porque o espaço tá pequeno pra morarmos um no outro e temos muita bagagem pra carregar. Tô dando minha cara a tapa de novo, mas dessa vez é pra ser feliz sem você.

 

Faltou nós

Faltou nós

Eu tive que acordar cedo porque minha consulta no dentista tava marcada pra 10:30 e eu simplesmente esqueci. Quase perdi a hora, quase não levantei, quase me deixei ficar na cama o dia todo e liguei pro trabalho dizendo que alguém me machucou e eu não podia sair pela rua sem meu coração. Mas eu me arrastei até o metrô porque eu tinha que encarar que você disse pra eu me cuidar e me desejou sorte em encontrar outra pessoa. De verdade, quem faz isso ? Quem deseja sorte ao deixar o outro ir embora ? Por que não gritou comigo, por que não disse que não quer que seu seja feliz com ninguém como eu era com você ? Porque você não é egoísta, você foi o menos egoísta de nós dois. Eu te prendi como a isca fica presa no anzol esperando finalmente o peixe cair na armadilha, e a minha era saber como exatamente te fazer voltar mesmo eu sendo ruim na parte de te fazer ficar por perto.

Você já entendeu, eu não entendi, eu era a mais racional e você era o mais emotivo até ver que a gente já tinha virado piada de mal gosto. Eu vou ter que arrastar os meus  dias tomando meus remédios controlados e te culpando sendo que o que eu tô sentindo aqui é falta de você, e isso é pior que qualquer crise que eu já tive e que não pode ser acalmada. Eu demorei pra admitir que eu precisava de você pra trazer mais vida quando você me pedia, que quando eu preciso você já não sabe mais ser nada. Você não quer ser mais nada, e eu não posso te amarrar na minha cama e te pedir pra aguentar minha loucura porquê você já aguentou demais e agora quer algo que te faça feliz de verdade. Que não envolva desligar o telefone na sua cara e nem mandar se foder. 

 E eu só consigo te escrever esse texto porque o que eu te dei foi pouco e faltou mais. Faltou nossa viagem para Angra, faltou que você deixasse suas roupas lá em casa, faltou que a gente planejasse onde iríamos morar e como íamos fazer para escolher quem iria lavar a louça no jantar. Faltou você me ajudar a crescer de nível no jogo idiota que jogávamos, faltou você dizer que me amava mais vezes porque eu sempre demorei a acreditar que aquilo era amor, porque não era pra fazer doer. E agora que falta parece que a gente errou mais que acertou e não consigo nem te culpar por isso e muito menos a mim, porque essas coisas acontecem e alguém tem que ficar partido enquanto um parte de vez. Então já que tá indo leva a melhor parte de mim que te amou.

Bateu um medo enorme porque na volta do dentista e na ida pra casa eu queria te contar que eu tava com medo do que vai acontecer daqui pra frente e eu ia te pedir pra me buscar, mas foi quando a ficha caiu… Eu não ia mais te ter por aqui.

O que você precisa ler sobre os términos

O que você precisa ler sobre os términos

Faz uma semana que a gente terminou. Já parei de tentar adivinhar qual das vezes que a gente já fez isso e gritou um com o outro e falou que não ia mais ter volta. Mas depois de um tempo de muitos ‘vai e volta’ parece que a gente se machuca mais, parece não, a gente só se machuca mais e parece que durante dias e semanas é só isso mesmo : gritaria desnecessária. Mas dizem que se não acaba assim é porque nem amor era mais. Ele falava algo que não iria voltar atrás e que tinha razão no que disse e eu acabava beijando o primeiro que aparecesse só de raiva e enchendo a cara mesmo em alguma balada qualquer da vida. Até ai nada de novo, o que estava ficando velho era o tempo passar e a gente nunca aprender a lidar um com o outro e com os nossos sentimentos.

É engraçado o que a gente faz durante esse tempo, sendo ele uma semana, um mês ou um ano. E mais ainda o que a gente sente. Eu falava com todas as minhas amigas e aos sete ventos que não dava pra continuar e que não aguentava o fato dele ser imaturo pra tudo e não saber me entender. De eu ter que pedir tanto e me irritar pelo simples fato de que ele não tinha iniciativa pra nada. Depois disso parecia que a ficha caia que eu não iria vê-lo todos os dias e eu só conseguia sentir falta.

Da mensagem que eu só conseguia ver de madrugada porque eu acabava caindo no sono sem querer e não respondia, de ligar só pra saber onde ele estava mesmo sabendo que ele tinha ido pro futebol com os amigos, de marcar em alguma publicação do Facebook que me lembrava da gente ou tirar algum print no celular para mostrar quando estivéssemos juntos só para rir daquilo. De fazer planos de comer em algum lugar que eu queria muito e ele não, porque ainda assim ele iria me levar só pra fazer a minha vontade. De sentir que eu tinha alguém pra quem voltar pra casa depois do trabalho ou passar o final de semana vendo filme e não fazer mais nada.

Acho que no fundo essa fase da saudades é o que faz todo mundo voltar. Foi o que aconteceu comigo s-e-m-p-r-e. É a parte que mais dói e a que mais precisa ser sentida também, eu digo que é a parte mais idiota porque você só dá valor pra pessoa quando perde isso tudo, nesse quesito eu tenho que citar o meu ex. Sem lembrar das brigas, sem lembrar das discussões que nos fazem terminar em primeiro lugar porque tudo isso some de repente. É que nesse momento de grande euforia e saudades, e durante o sexo maravilhoso de reconciliação e de todo o choro de ‘a gente nunca mais vai fazer isso’ ninguém nunca para pra pensar se foi o certo ou não. Se foi certo dar razão ao coração e não a cabeça (no caso dos homens é sempre bom saber se é a de cima ou a de baixo).

Tenho pra mim que ninguém quer pensar, a verdade é, pra que pensar ? Se vocês estão dormindo na mesma cama todas as noites e ninguém toca mais no assunto. Mas olhar pro que foi jogado pra debaixo do tapete ? Jamais. Faz uma semana que eu terminei com ele e tô nessa fase da saudades e posso dizer que tô no inferno, até mesmo porque o calor no Rio ultimamente está de matar. Mas não sei se é meu orgulho falando ou a minha consciência de que foi melhor assim, porque ao mesmo tempo em que sinto falta lembro de vários outros motivos para me lembrarem que foi a escolha certa. E não, não é porque o Carnaval vai acontecer daqui a 50 dias, e sim porque tudo o que acontece, acontece por uma razão.

E o melhor é que eu sei que o sentimento existiu porque eu não guardo o choro que vem antes de dormir e nem luto contra a dor no peito de não poder mais contar com ele pra tudo, até pra matar uma barata. Isso tá me fazendo crescer de alguma forma e o que ninguém te conta sobre os términos é : que não dura para sempre a dor, e que se for seu vocês vão se encontrar com um olhar mais maduro e com cabeças mais decididas. E bom, no fundo, é o que eu espero pra mim também….E se não for ? Bem, acho que vida é assim mesmo.